O escravocrata/ Artur Azevedo
PRÓDOMO
O Escravocrata, escrito há dois anos e submetido à aprovação do Conservatório Dramático Brasileiro sob o título A família Salazar, não mereceu o indispensável placet. Embora não trouxesse o manuscrito nota alguma com declaração dos motivos que ponderaram no ânimo dos ilustres censores, para induzi-los à condenação do nosso trabalho, somos levados a crer que essa mudez significa - ofensa à moral, visto como só nesse terreno legisla e prepondera a opinião literária daquela instituição.
Resolvemos então publicá-lo, a fim de que o público julgue e pronuncie.
Sabemos de antemão quais os dois pontos em que a crítica poderá atacá-lo: imoralidade e inverossimilhança. Conhecendo isso, sangramo-nos em saúde.
O fato capital da peça, pião em volta do qual gira toda a ação dramática, são os antigos amores de um mulato escravo, cria de estimação de uma família burguesa, com a sua senhora, mulher nevrótica e de imaginação desregrada; desta falta resulta um filho, que, até vinte e tantos anos de idade, é considerado como se legítimo fosse, tais os prodígios de dissimulação postos em prática pela mãe e pelo pai escravo, a fim de guardarem o terrível segredo.
Bruscamente, por uma série de circunstâncias imprevistas, desvenda-se a verdade; precipita-se então o drama violento e rápido, cujo desfecho natural é a consequência rigorosa dos caracteres em jogo e da marcha da ação.
Onde é que se acha o imoral ou o inverossímil?
As relações amorosas entre senhores e escravos foram e são, desgraçadamente, fatos comuns no nosso odioso regime sociais; só se surpreenderá deles quem tiver olhos para não ver e ouvidos para não ouvir.
Se a cada leitor em particular perguntássemos se lhe ocorre à memória um caso idêntico ou análogo ao referido no Escravocrata, certo estamos de que ele responderia afirmativamente.
A questão de moralidade teatral e literária diz respeito tão somente à forma, à linguagem, à fatura, ao estilo. Se os moralistas penetrassem na substância, na medula das obras literárias, de qualquer época ou país que sejam, de lá voltariam profundamente escandalizados, com as rosas do pudor nas faces incendidas, e decididos a lançar no index todos os autores dramáticos passados, presentes e futuros.
Repetir estas coisas é banalidade; há, porém, pessoas muito ilustradas, que só não sabem aquilo que deveriam saber.
Seriam muito boas que todas as mulheres casadas fossem fiéis aos seus maridos, honestas, ajuizadas, linfáticas, e que os adultérios infamantes não passassem de fantasias perversas de dramaturgos atrabiliários; mas infelizmente assim não sucede, e o bípede implume comete todos os dias monstruosidades que não podem deixar de ser processadas neste supremo tribunal de justiça - o teatro.
Não queremos mal ao Conservatório; reconhecemos o seu direito, e curvamos a cabeça. Tanto mais que nos achamos plenamente convencidos de que, à força de empenhos e de argumentos, alcançaríamos a felicidade de ver o nosso drama à luz da ribalta. Mas esses trâmites seriam tão demorados, e a idéia abolicionista caminha com desassombro tal, que talvez no dia da primeira representação do Escravocrata já não houvesse escravos no Brasil. A nossa peça deixaria de ser um trabalho audacioso de propaganda, para ser uma medíocre especulação literária. Não nos ficaria a glória, que ambicionamos, de haver concorrido com o pequenino impulso das nossas penas para o desmoronamento da fortaleza negra da escravidão.
Janeiro de 1884
Artur Azevedo e Urbano Duarte
PERSONAGENS
SALAZAR, negociante de escravos
GUSTAVO, seu filho
LOURENÇO, seu escravo
SERAFIM, ex-sócio do Clube Abolicionista Pai Tomás
DOUTOR EUGÊNIO, médico
SEBASTIÃO, sócio de Salazar
UM COMPRADOR DE ESCRAVOS.
M CREDOR.
UM CAIXEIRO.
JOSEFA, irmã de Salazar
GABRIELA, mulher de Salazar
CAROLINA, sua filha
Três mulatas baianas, escravos.
A cena passa-se no Rio de Janeiro.
ATO PRIMEIRO
Escritório em uma casa de alugar escravos. À esquerda, secretária; à direita, sofá sobre o qual está um número do Jornal do Comércio; cadeiras. Porta ao fundo, à esquerda. Encostadas à parede do fundo, à esquerda, uma trouxa e uma esteira suja enroladas.
CENA I
SALAZAR, depois UM CAIXEIRO. SALAZAR escreve por algum tempo, sentado à secretária; toca o tímpano; entra o caixeiro.
O CAIXEIRO (Da esquerda alta.) - Pronto!
SALAZAR - Levou os negros à Polícia?
O CAIXEIRO - Sim, senhor; já estão de volta.
SALAZAR - Bem. Seguem para cima, amanhã, no expresso das quatro horas e meia. Às três em ponto, o senhor deverá estar de pé, a fim de poder achar-se na Estação às quatro. São quarenta e quatro cabeças, incluindo o Lourenço. Tome lá. Vá à minha casa e entregue este bilhete a minha mulher. Ela deve entregar-lhe o Lourenço, e o senhor o reunirá ao lote de escravos que vai embarcar. (Levantando-se, passa à direita.) Resolvi desfazer-me daquele tratante, haja o que houver, e nada me demoverá deste propósito. Pode ir. (O Caixeiro sai pelo fundo.)
CENA II
SALAZAR, SEBASTIÃO
SEBASTIÃO (Da esquerda alta.) - Possuímos a melhor fazenda que existe atualmente no mercado do Rio de Janeiro; não achas, Salazar?
SALAZAR (Sentando-se no sofá.) - Gente superfina. Os nossos comitentes do Norte capricharam desta vez. Só a renque da crioulada vale vinte e cinco, alto e mau, de olhos fechados. É para fazer água na boca! Há pouco, quando o lote passava na rua, o Arruda da Prainha lançou-lhe um olhar de sete palmos e meio. É só para os moer!
SEBASTIÃO - O Arruda nunca recebeu nem receberá uma partida de negros como esta, que veio pelo Ceará.
SALAZAR - Não há um só alcaide. Gente limpa, escorreita, moça, reforçada e dócil, que faz gosto. Só do Ceará nos vieram dez crioulos retintos, que valem o seu peso em ouro. Se tu não os venderes a vinte e cinco ou trinta dias, não te chamarás Sebastião de Miranda, o famoso negreiro fluminense, sócio e amigo íntimo de Pedro Salazar, negociante de grosso trato e fazendeiro sem hipotecas.
SEBASTIÃO - Sim, espero fazer bom negócio. Por fora a gente é de primeira qualidade, não há dúvida, mas por dentro! Quem é que pode lá conhecer mazelas de negro? Negro é bicho do diabo, Salazar! As vezes estão cheios de moléstias ocultas, que só confessam quando lhes faz conta.
SALAZAR - Nem tanto! Pois hão de iludir os médicos?
SEBASTIÃO - Ora os médicos, os médicos! Por cinco mil réis de mais ou de menos, fazem a inspeção conforme queremos.
SALAZAR - Negro não tem licença para estar doente. Enquanto respira, há de poder com a enxada, quer queira, quer não.
SEBASTIÃO - De acordo, mas hoje anda aí em moda tratá-los bem... com humanidade... não sei que mais...
SALAZAR - Tolices! Humanidade para negro! Para moléstia de negro há um remédio supremo, infalível e único: o bacalhau. Deem-me um negro moribundo e um bacalhau, que eu lhes mostrarei se o não ponho lépido e lampeiro com meia dúzia de lambadas!
SEBASTIÃO - Perfeitamente de acordo. Mas, quer queiramos, quer não, temos de contemporizar com essas idéias... Os tais senhores abolicionistas...
SALAZAR (Erguendo-se e descendo ao proscênio.) - Psiu! Não me fales nessa gente, pelo amor de Deus! Só o nome dessa cáfila de bandidos que ultimamente me têm feito perder mais de oitenta contos, irrita-me de um modo incrível!
SEBASTIÃO - Também a mim. Regra geral e sem exceção: sujeito que nada tem a perder e não sabe onde cair morto declara-se abolicionista.
SALAZAR - Eu vou mais adiante: sujeito que tentou sem resultado todos os empregos, profissões e indústrias, e em nenhum conseguiu reputação ou fortuna, por ser incapaz, indolente, prevaricador ou estúpido, arvora-se por último em abolicionista, para ver se deste modo segura os pirões.
SEBASTIÃO- E com que desprezo nos chamam de escravocratas! Dizem que negociamos em carne humana, quando são eles que traficam com a boa-fé dos papalvos, e lhes vão limpando as algibeiras, por meio de discursos e conferências!
SALAZAR - Exploram o elemento servil pelo avesso, sem os percalços do ofício. Ao menos nós damos aos negros casa, cama, comida, roupa, botica e bacalhau.
SEBASTIÃO - Principalmente bacalhau. Porque o negro, sem ele, é uma utopia! (Indo examinar uns papéis à secretária.) Recebeste hoje carta do Evaristo?
SALAZAR (No proscênio.) - Sim; a safra promete ser excelente. Quatro mil arrobas de primeira. Tudo na melhor ordem.
SEBASTIÃO - Com um administrador como o Evaristo, vale a pena ser fazendeiro. É o nosso factótum!
SALAZAR - Honesto, ativo, fiel; longa prática do eito e chicote sempre na mão!
SEBASTIÃO - Basta que visitemos uma ou duas vezes por ano a nossa fazenda do Pouso Alto, para que as coisas nos corram sem novidade. (Salazar desce ao proscênio.) Mas então levo ou não levo o Lourenço?
SALAZAR - Sem dúvida; desta vez ele não escapa. Irra! que já ando aborrecidíssimo com aquela peste! Preciso descartar-me dele, oponha-se quem se opuser! Nada me enraivece mais que ver um negro emproado! Já por diversas vezes tenho querido tirar-lhe a proa com uma surra mestra; mas minha mulher, minha filha e meu filho metem-se de permeio e fazem-me uma choradeira de todos os diabos!
SEBASTIÃO - Pois ainda és desse tempo? Atendes a súplica de família, quando se trata de surrar negro?
SALAZAR - Pois se eles sempre se colocam em sua frente para defendê-lo?! Ainda anteontem, minha mulher quase apanhou uma lambada que era destinada ao Lourenço! Protege-o escandalosamente, alegando ser ele cria da família, e não sei mais o quê... E há vinte e cinco anos, desde o meu casamento, que aturo as insolências daquele patife! Leva a ousadia ao ponto de não abaixar a vista quando fala comigo! Oh! mas desta vez, vendo-o definitivamente!
CENA III
OS MESMOS, SERAFIM
SERAFIM (Da porta do fundo.) - O Senhor Pedro Salazar?
SALAZAR - Que deseja, senhor? (Serafim entrega-lhe uma carta.)
SEBASTIÃO (À parte, examinando Serafim.) - Que tipo! Polícia secreta, flor da gente, ou poeta! (Vai sentar-se no sofá e lê o Jornal do Commércio.)
SALAZAR (Depois de ler a carta.) - Serafim Pechincha é o senhor?
SERAFIM - Em carne e osso.
SALAZAR - O compadre Ribeiro escreve-me: (Lê.) "O portador é o Senhor Serafim Pechincha, moço, filho de uma boa família provinciana, o qual se acha desempregado e reduzido à expressão mais simples. Parece ser ativo; é inteligente. Vê se o podes ocupar em algum serviço."
SERAFIM - Redação simples, mas eloqüente!
SALAZAR - A recomendação do compadre Ribeiro é muito valiosa; porém, creio, não estranhará que eu procure saber das suas habilitações e precedentes. É natural... não acha?
SERAFIM - Naturalíssimo. Julgo do meu dever falar-lhe com toda a franqueza, para que me fique conhecendo, e depois não diga que sim, mas que também... Eu cá sou despachado.
SEBASTIÃO (À parte.) - A linguagem não é de polícia secreta!
SALAZAR - Diga.
SERAFIM - Começo por declarar que sou um tipo arrebentado.
SALAZAR - Arrebentado?
SERAFIM - Arrebentadíssimo. Consta-me, por informações de terceiro, que pertenço a uma boa família provinciana, ao que, aliás, não ligo muito crédito.
SALAZAR - Como assim?
SEBASTIÃO (À parte.) - Flor da gente com certeza!
SERAFIM (À Salazar.) É verdade; não tenho a mais vaga reminiscência de pai nem mãe. Cuido mesmo que já nasci órfão. Oh! triste sina! (Procura o lenço e não o acha; limpa uma lágrima à aba do paletó.) Quando, há tempos, o príncipe Natureza dissertou sobre o choque de pai e mãe, senti que o coração se me dilacerava de saudades.
SEBASTIÃO (À parte.) - Agora parece poeta.
SALAZAR - Mas não tem parente algum?
SERAFIM - Lá chegarei... gosto de ir por partes... Aos dez anos, tenho lembrança de que um tio nos meteu, a mim e a dois irmãos, em uma espécie de colégio na Rua de São Diogo.
SALAZAR - Mas até os dez anos? De nada se recorda?
SERAFIM - É célebre!
SERAFIM - Celebérrimo! Mas todo eu sou celebérrimo! Como dizia, meteram-me no colégio, a mim, ao Chico e ao Cazuza. Aí estivemos três anos, durante os quais passamos fome de cachorro. O diretor era mais sovina que grosseiro, e mais estúpido que sovina e grosseiro. Um belo dia, nós, não podendo suportá-lo, tratamos uma conspiração, aplicamos-lhe uma coça de marmeleiro, e fugimos do colégio.
SALAZAR (À parte.) - Bom precedente!
SERAFIM - Daí em diante, a minha vida tem sido um romance... sem palavras. Quem lhe dera, senhor Salazar, possuir de contos de réis os dias que não tenho comido! (Gesto de Salazar.) Não se admire disto! não me peja dizer a verdade nua e crua... Eu sou do tipo arrebentado. Há dias em que acredito mais no balão Júlio César do que numa nota de quinhentos réis! Tenho tentado todos os empregos: fui manipulador de cigarros durante dois meses, exerci o nobre mister de testa-de-ferro, fiz-me cambista, redator do Incendiário, e até representei no teatro...
SEBASTIÃO (Vivamente.) - Ah! foi cômico?
SERAFIM - Não, senhor: fiz uma das pernas do elefante do Ali-babá, na Fênix.
SALAZAR - Mas que fim levaram seus irmãos?
SERAFIM - Ah! esses foram mais felizes que eu; arranjaram-se perfeitamente.
SALAZAR - Estão empregados?
SERAFIM - Ou coisa que o valha: o Chico meteu-se no Hospício de Pedro II.
SALAZAR - Como enfermeiro?
SERAFIM - Como doido.
SALAZAR - Enlouqueceu?
SERAFIM - Qual! teve mais juízo que eu; cama, mesa, médico, uma ducha de vez em quando para refrescar as idéias, e uma camisola para o frio. Afinal, é um meio de vida como outro qualquer!
SALAZAR (Surpreso.) E o?... Como se chama?
SERAFIM O Cazuza? (Assobia.) Um finório! Tantos empenhos meteu, que conseguiu um lugar no Asilo da Mendicidade.
SALAZAR Ah! ... como inspetor de turma?
SERAFIM Qual inspetor! qual turma! Como mendigo!
SEBASTIÃO (À parte.) - É um tipo único!
SERAFIM - Vive hoje muito tranqüilo e satisfeito a desfiar estopa. Estão ambos arranjados: eu é que ainda não criei juízo, e vivo ao deus-dará!
SALAZAR - Por que não se torna abolicionista?
SERAFIM (Recuando indignado e tomando uma atitute teatral.) - Senhor João Salazar...
SALAZAR - Pedro... Pedro, se me faz favor...
SERAFIM - Senhor Pedro Salazar! creio que todas as misérias que acabei de lhe relatar não o autorizam a cuspir-me em face tal injúria! Sou um tipo arrebentado, mas, graças a Deus, ainda não desci tão baixo!
SALAZAR Então odeia?...
SERAFIM - Os abolicionistas? Não os odeio: desprezo-os!
SEBASTIÃO (Levantando-se entusiasmado e apertando-lhe a mão.) - Toque!
SALAZAR - Toque (Serafim tem cada uma das mãos apertadas por cada um dos sócios.) De hoje em diante pode considerar-se empregado de Salazar & Miranda!
SEBASTIÃO - Entende alguma coisa de negócio?
SERAFIM - Pouco, mas - modéstia à parte - sou muito inteligente. Com qualquer coisa, me ponho em dia... Se me dessem uma explicação sumária...
SEBASTIÃO - Pois não... agora mesmo... (Tomando-lhe o braço.) Venha comigo...
SERAFIM (Saindo, à parte.) - Que dirão os meus colegas do Clube Abolicionista Pai Tomás?! (Sebastião sai com Serafim pela esquerda alta.)
CENA IV
SALAZAR, GUSTAVO
SALAZAR (Só.) - Desta gente é que eu preciso!
GUSTAVO (Entra do fundo amarrotando um jornal que tem na mão.) - Sacripantes! Safardanas! Leia isto, meu pai, veja se o infame mofineiro que publicou este aranzel contra vosmecê e a nossa família não merece que se lhe corte a cara a vergalho! Leia isto!
SALAZAR - Não, não leio! Apesar de não ligar a mínima importância ao grasnar desses miseráveis gazetilheiros, que só andam à cata de quem os compre, as suas verrinas deixam-me numa irritação nervosa, que me tira o apetite. Ah! se eu pilhasse os tais abolicionistas todos no eito!
GUSTAVO - Quem sabe? Pode ser que um dia...
CENA V
OS MESMOS, LOURENÇO, o CAIXEIRO
CAIXEIRO - Cá está o mulato.
SALAZAR (A Lourenço.) - Prepara a tua trouxa; tens que seguir amanhã para cima.
LOURENÇO (Fita-o e depois diz pausadamente.) - Mais nada?
SALAZAR (Furioso.) - Mais nada! Desavergonhado! Patife! Cão! Puxa já daqui!
LOURENÇO - Não lhe quis faltar ao respeito... Este é o meu modo de falar.
SALAZAR - Modo de falar! Pois negro tem modo de falar? Quando estiveres em minha presença, abaixa a vista, ladrão! (Lourenço não lhe obedece.) Abaixa a vista, cachorro! Corto-te a chicote se o não fizeres! (Lourenço conserva-se imperturbável. Salazar avança com um chicote, mas Gustavo o contém.)
GUSTAVO - Peço por ele, meu pai! Lourenço é um escravo dócil e obediente. (A Lourenço, com brandura.) Abaixa a vista, Lourenço. (Lourenço obedece.) Ajoelha-te! (Idem.) Pede humildemente perdão a meu pai de lhe não haveres obedecido incontinenti.
LOURENÇO - Peço humildemente perdão a meu senhor...
SALAZAR - Puxa daqui, burro! (Lourenço sai.)
CENA VI
SALAZAR, GUSTAVO
GUSTAVO - Vai mandá-lo para fora?
SALAZAR - Definitivamente. Escusam de pedir-me. Cada vez tem menos vergonha! é uma peste!
GUSTAVO - Nem tanto. Apesar da ojeriza e do desprezo que tenho por tudo quanto me cheira a negro cativo, conservo alguma estima pelo Lourenço.
SALAZAR - As tais amizades do senhor moço! Viu-te nascer, trouxe-te ao colo, etc., etc... Olha, podes estar certo de que, na primeira ocasião propícia, ele te envenenará numa xícara de café ou num copo d’água! Ainda és muito moço: não sabes de quanto um negro é capaz!
GUSTAVO - Sei bastante; para esta raça amaldiçoada só há três princípios: o eito, o bacalhau e a força! Mas não posso deixar de abrir uma exceção para o Lourenço...
CENA VII
OS MESMOS, um COMPRADOR
COMPRADOR - O senhor Pedro Salazar?
SALAZAR - Um seu criado; que deseja?
COMPRADOR - Sei que recebeu, pelo vapor Ceará, uma bela partida de raparigas: desejo comprar-lhe algumas. (Gustavo, durante o diálogo, entretêm-se a cortar com uma tesoura um artigo do Jornal, que trouxe na mão, e guarda o retalho.)
SALAZAR - Tenho o que lhe serve: fazenda nova, bonita e limpa.
COMPRADOR - Pode-se ver?
SALAZAR - Imediatamente. (Toca o tímpano, entra o caixeiro.) Traga as mulatas da Bahia. (Sai o caixeiro.) Crioulas não lhe servem? (Gesto negativo do comprador.) Sim, para o seu negócio... (Abaixando a voz.) É coisa papa-fina e barata.
CENA VIII
SALAZAR, GUSTAVO o COMPRADOR, SEBASTIÃO, SERAFIM, o CAIXEIRO, três mulatas.
SERAFIM (Empurrando as mulatas.) - Vamos! Depressa! Negro não tem vergonha! Olha que ar de santa tem esta descarada! Tiro-te a santidade com couro cru! Formem as três para este lado!
SALAZAR - Assim! (À parte.) Tenho homem.
SERAFIM (Ao Comprador.) Foi o senhor que pediu as mulatas? Ei-las! Veja que três mucamas esplêndidas? (à parte.) Olá! o Raposo cáften!
GUSTAVO (À parte, indicando Salazar.) - Ainda não achei situação azada para lhe dar o bote... Preciso muito... muito...
SERAFIM (Indicando as mulatas.) - Esta daqui cozinha, lava e engoma perfeitamente. Aquela engoma, lava e cozinha admiravelmente. Aquela outra cozinha, engoma e lava como ninguém ainda cozinhou, lavou e engomou neste mundo.
SEBASTIÃO - Possuem ainda uns dengues baianos, mas que se tiram com o chicote!
SERAFIM - Vai bem servido. (A uma das mulatas.) Faze aí um dengue, para aqui o senhor apreciar. Vamos lá! Dize assim: Ó gentes, ioiô! Mecê tem partes! (As mulatas conservam-se cabisbaixas e silenciosas.) Fala, desavergonhada!
SEBASTIÃO (Baixo a Serafim.) - Deixe-se de patuscadas... O negócio é coisa muito séria.
SALAZAR (Ao Comprador.) - Que tal?
COMPRADOR - Bom frontispício. (A uma mulata.) Abre a boca, rapariga. Boa dentadura! (Passa-lhe grosseiramente a mão pela face e pelos cabelos, vira-a e examina-a de todos os lados.) Boa peça, sim, senhor! Tira fora este pano. (A mulata não obedece.)
SALAZAR - Tira fora este pano; não ouves? (Arranca o pano e atira-o violentamente fora. A mulata corre a apanhá-lo, mas Sebastião empurra-a. Ela volta ao lugar e desfaz-se em pranto, cobrindo os seios com as mãos.}
SEBASTIÃO - Olhem! Quer ter pudor! Onde já se viu isto? Negra com pudor!
SERAFIM - E chora! Ora não querem ver! Cachorra! Daqui a pouco é que hás de chorar deveras!
COMPRADOR (A Salazar, baixo.) - Por esta que está chorando dou vinte e cinco, negócio fechado.
SALAZAR (Baixo.) - Menos de trinta, nem um real... Tem pudor, homem! (A Serafim.) Leve-as. (Sai Serafim, empurrando na sua frente as mulatas. Sai igualmente o Caixeiro.)
CENA IX
SALAZAR, o COMPRADOR, SEBASTIÃO, GUSTAVO
(Dois grupos. Salazar conversa com o Comprador, Sebastião com Gustavo.)
GUSTAVO (A Sebastião.) - Estou em talas.
SEBASTIÃO - Como sempre.
GUSTAVO - Mas desta vez a coisa é séria, uma dívida de honra!
SEBASTIÃO - Já conheço as suas dívidas de honra: pagar a conta de alguma cocote.
GUSTAVO - Juro-lhe que a coisa é de gravidade. Uma ninharia: quatrocentos mil réis; mas, se os não arranjo, sou bem capaz de fazer saltar os miolos!
SEBASTIÃO - Seria sua primeira ação de juízo.
GUSTAVO - Acha que meu pai me negará esse dinheiro? Vou dar-lhe o bote!
SEBASTIÃO - Se eu fosse seu pai, não lho daria, porque tenho a certeza de que você iria perdê-lo, até o último vintém, na banca francesa.
COMPRADOR (A Salazar.) - Pois então está concluído o negócio. Hoje mesmo virei buscá-las.
SEBASTIÃO (Ao Comprador.) - Mas o senhor ainda não viu toda a gente que temos! Talvez encontre alguma que lhe agrade. Venha contemplá-la. (Saem juntos.)
CENA X
SALAZAR, GUSTAVO
GUSTAVO - Quero pedir-lhe um favor, meu pai.
SALAZAR - Dinheiro? Não há!
GUSTAVO - Mas...
SALAZAR - Não há, já disse! Não me aborreça!
GUSTAVO - É que...
SALAZAR - Não há quês, nem kás; ganhe-o com o suor de seu rosto, que eu não estou para alimentar vícios de malandros! (Sai.)
CENA XI
GUSTAVO, depois LOURENÇO
GUSTAVO (Só.) - Estou a braços com um caiporismo medonho! Há três dias que não ganho uma parada! Não me ponho no prego, por ser difícil achar quem me queira! Joguei quatrocentos mil réis sob palavra e não tenho com que os pagar! Os amigos a quem posso recorrer ou já são meus credores, ou são tão forrecas como eu. Palavra que não sei de que expediente lançar mão. (Lourenço entra de mansinho e vem colocar-se junto de Gustavo, sem que ele o veja.)
LOURENÇO - Vossemecê está incomodado?
GUSTAVO - Ah! Lourenço, pregaste-me um susto! Estou incomodado, sim.
LOURENÇO - E Lourenço não pode saber?
GUSTAVO - Ora! Saber para quê? Que remédio podes dar-me? O que eu quero é dinheiro! É de dinheiro que eu preciso! Tu o tens para mo emprestar?
LOURENÇO (Tirando do bolso, dinheiro embrulhado num lenço sujo.) - Aqui estão minhas economias, juntadas vintém por vintém... Se vossemecê precisa, Lourenço faz muito gosto...
GUSTAVO (Abrindo o embrulho e contando avidamente o dinheiro.) - Cento e vinte mil, seiscentos e vinte réis... (À parte.) Soma esquisita! Oh! que palpite! Em meia dúzia de paradas, isto pode render um conto de réis! Lourenço, daqui a pouco te restituirei esse dinheiro e mais vinte mil réis de gratificação. (Sai correndo.)
CENA XII
LOURENÇO, depois GABRIELA, CAROLINA
LOURENÇO (Ergue os olhos aos céus e enxuga uma lágrima.) - O jogo, sempre o jogo! Não posso, não devo, não quero sair de junto dele.
GABRIELA (Entrando com Carolina.) - Lourenço, onde está o senhor Salazar?
LOURENÇO - No escritório do guarda-livros.
GABRIELA - Carolina, vai lá dentro ter com teu pai. Vê como lhe fazes o pedido. Lembra-te de que ele é arrebatado; só com muita brandura se pode levá-lo...
CAROLINA - Não lhe dê cuidado, mamãe... (Saindo, a Lourenço.) Trata-se de vossemecê senhor Lourenço... Veja lá como lhe queremos bem! (Sai.)
CENA XIII
LOURENÇO, GABRIELA
LOURENÇO (Baixo e em tom de ameaça.) - Não quero absolutamente afastar-me de junto dele.
GABRIELA (Muito nervosa.) - Sim, sim... Farei tudo quanto estiver ao meu alcance, mas não fales nesse tom, porque se nos ouvem...
LOURENÇO - Não tenhas susto; há vinte e dois anos que guardo este segredo, e ainda não pronunciei uma palavra que pudesse despertar desconfianças. Prometo guardá-lo até à morte, se a senhora fizer que eu me conserve sempre ao lado dele.
GABRIELA - Sim... prometo... prometo... (À parte.) Oh! Deus! mereço eu tamanho castigo? (Alto.) Sai daqui... Aproxima-se o senhor Salazar. (Lourenço sai.)
CENA XIV
GABRIELA, SALAZAR, CAROLINA
CAROLINA (A Salazar.) - Perdoe ainda esta vez. Garanto-lhe que de hoje em diante ele abaixará a vista quando estiver, em sua presença.
SALAZAR - Tá tá tá! O Lourenço segue amanhã com o lote tocado pelo Sebastião, e vai apanhar café na fazenda, com instruções ao Evaristo para castigá-lo com todo o rigor à menor falta. É resoluço inabalável! Não cederei aos anjos do céu, que venham em comissão.
CAROLINA (Com voz trêmula pela comoção.) - Se as minhas palavras não o comovem, meu pai, ao menos as minhas lágrimas... (Desata em pranto.)
SALAZAR - Valha-me Deus! Vem cá, pequena, dize-me: que interesse têm vocês em proteger aquele tratante?
GABRIELA - Não é interesse, senhor, é amizade. O Lourenço é cria de família... viu-a nascer... e ao Gustavo. Trouxe-os ao colo. Tratou-os sempre com carinho. Além disso, é bom escravo: o senhor, só o senhor antipatiza com ele.
CAROLINA - Sem razão, sem razão. Aquilo nele é natural. Cada qual como nasceu. Vossemecê preferia que o Lourenço fosse desses escravos que na frente se derretem em humilhações e por detrás são inimigos encarniçados de seus senhores?
SALAZAR (Depois de uma pausa.) - Bem... Ainda desta vez, cedo.
AS DUAS - Ah!
SALAZAR - Mas sob uma condição...
CAROLINA - Qual?
SALAZAR - De me deixarem livre e desembaraçadamente ir-lhe ao pêlo, quando não andar muito direitinho.
CAROLINA – Pois bem.
SALAZAR - Levem-no com todos os diabos!
CAROLINA (Abraçando-o.) - Ah! obrigado, paizinho. Lourenço! (Lourenço aparece.) Vamos para casa. Vem conosco.
SALAZAR (A Lourenço.) - Vá lá, mas sem exemplo! Agradeça à sinhazinha, ladrão. (Ouve dentro pancadaria e choradeira.) Que é isto?
GABRIELA (Enquanto Salazar volta as costas.) - Vamos, vamos! (Sai com Carolina. Lourenço acompanha-as.)
CENA XV
SALAZAR, SERAFIM
SERAFIM (Trazendo um vergalho em uma das mãos e uma grande palmatória na outra.) - Arre! Estreei-me perfeitamente!
SALAZAR - Que foi?
SERAFIM - Esta corja de moleques e negrinhas! Faziam uma algazarra de ensurdecer! Distribuí chicotadas da direita para a esquerda! Não perdi uma!
SALAZAR - Toque! O senhor é o homem que me serve! (Depois de lhe apertar a mão.) Vou vê-los! Vou vê-los! (Sai.)
SERAFIM (Só.) - Que dirão os meus colegas do Clube Abolicionista Pai Tomás?
FIM DO PRIMEIRO ATO
ATO II
Em casa de Salazar.
CENA I
DOUTOR ENGÊNIO, CAROLINA ao piano
CAROLINA - Não gosta desta habanera?
DOUTOR - Prefiro a mais vulgar música a um trecho sublime de Beethoven ou de Mozart...
CAROLINA - Como assim?
DOUTOR - Quando esta música vulgar é executada pelos seus dedos.
CAROLINA (Enleada.) - Oh! Doutor...
DOUTOR - Peço-lhe que não me trate pelo meu título; as afeições recíprocas excluem essas formalidades banais. A sua cerimônia faz-me supor não ser correspondido.
CAROLINA - Oh! porventura vê alguma coisa em mim que possa autorizar esse juízo?
DOUTOR - Só tenho lido nos seus olhos, amor, candura e inocência. Oh! amo-a muito, adoro-a, Carolina! Tenho uma vaga reminiscência de haver visto o seu semblante em um mundo ideal... no mundo dos sonhos talvez! (À parte.) Flor entre cardos! Pérola no lameirão! A eterna antítese! Oh! mas hei de tirá-la pura do meio impuro em que vive. Porque amo-a!
CENA II
OS MESMOS, JOSEFA
JOSEFA (Entrando a praquejar.) - Má raios te partam, te enconjuro, credo! Que azucrinação de todos os diabos! Esta molecada não me deixa sossegar! (Vendo o doutor e Carolina.) E estes dois aqui sozinhos! Que pouca vergonha! Vou participar ao mano que não posso mais viver nesta casa! De todos os lados só se vê má-criação, patifaria e pouca vergonha!
CAROLINA (Deixando o piano.) - Está zangada, tia Josefa?
JOSEFA - Estou, sim! Pois se aqui ninguém me respeita, ninguém faz caso de mim. Sou um dois-de-paus!
DOUTOR - Engana-se.
JOSEFA - Deixe-me falar... que eu só falo quando tenho rezão. Mandei um desses moleques à venda comprar quatro vinténs de pimenta-do-reino e o diabo levou duas horas na rua. Que lembrança teve o mano em mandar para cá os negros que não couberam na Casa de Comissão! É uma negralhada, que nem santo pode aturar!
CAROLINA - Porém...
JOSEFA - Deixe-me falar, com a breca! Não fazem caso de mim os tais senhores negros! Se dou uma ordem, ela entra por um ouvido e sai por outro. Ainda ontem disse à pernambucana que queria o meu vestido de fustão engomado hoje, e até agora a excomungada nem ao menos o pôs na goma.
DOUTOR - Mas...
JOSEFA - Deixe-me falar, homem de Deus! Eu levantava as mãos para o céu e acendia uma vela a Nossa Senhora das Candeias, no dia em que visse enforcados todos os negros desta terra! (Olhando ironicamente para o doutor Eugênio.) Eu bem sei que esta opinião desagrada a certos sujeitinhos que são abolicionistas, mas andam à coca de meninas que tem escravos.
DOUTOR - Perdão, parece-me...
JOSEFA - Deixe-me falar... (Carolina toma o doutor pela mão e leva-o para o jardim. Josefa não dá pela saída dos dois.) Se a carapuça serviu a alguém, esse alguém que a deite na cabeça, e vá para todos os diabos, que eu não tenho a quem dar satisfações, e não as dava nem a meu pai, que ressuscitasse! (Vendo-se só.) Foram-se? não importa! Hei de falar até não poder mais! Hei de falar mesmo sozinha, porque com certeza alguém estará escutando à porta. Doutor das dúzias! ainda aqui com partes de abolicionista, e quer casar com a filha de um homem que ele sabe que tem toda a sua fortuna em escravos. Ah! inveja! inveja!
CENA III
JOSEFA, SERAFIM
SERAFIM - Senhora dona Josefa, o patrão manda buscar as crioulas Jacinta e Quitéria.
JOSEFA - Ah! É você? Sente-se aqui e ouça-me (Obriga-o a sentar-se.) Veja se eu tenho ou não rezão quando falo. Vivo aqui no inferno, seu Serafim, sou tratada como uma negra! Ninguém me respeita, ninguém faz caso de mim. Estou morta por me ir embora. Aqui eu fico maluca, se já o não estou!
SERAFIM (Querendo levantar-se.) - O patrão...
JOSEFA (Obrigando-o a sentar-se.) - Deixe-me falar! Também você?
SERAFIM - Tem toda a razão, mas é que...
JOSEFA - Ainda ontem...
SERAFIM (Mexendo-se.) - O patrão tem pressa!
JOSEFA (Gritando.) - Deixe-me falar! Ainda ontem tinha eu dado ordem para mudar o coradouro.
SERAFIM - Nada! Vou eu mesmo buscar as crioulas... (Sai rapidamente.)
JOSEFA (Perseguindo-o.) - Ouça o resto, homem do diabo! Ainda ontem... Olhe! Seu Serafim! (Perde-se a voz nos bastidores.)
CENA IV
UM CREDOR, introduzido por LOURENÇO, depois GABRIELA
LOURENÇO - Faça favor de entrar... Eu vou chamar minha senhora... (Saída falsa.) Não é preciso: ela aí vem. (Entra Gabriela.) Minha senhora, este senhor deseja falar com vossemecê. (Gabriela cumprimenta o credor com a cabeça. Lourenço afasta-se e fica escutando ao fundo.)
O CREDOR - Minha senhora, eu vim procurar seu filho, o senhor Gustavo; o criado disse-me que ele não está em casa; fará vossa excelência o obséquio de me informar do lugar e da ocasião em que poderei encontrá-lo?
GABRIELA - Sou a última a saber da vida de meu filho, senhor. Raras vezes o vejo. Passam-se dias e dias que não vem a casa, e nunca diz para onde vai.
O CREDOR - Se vossa excelência me concedesse alguns momentos de atenção, desejava fazer-lhe revelações importantes a respeito do senhor seu filho; revelações que com certeza hão de magoá-la muito, mas que julgo necessárias.
GABRIELA - Não me surpreende. Já estou tristemente habituada aos desmandos de Gustavo; tudo tenho em vão tentado para trazê-lo ao bom caminho. - Queira sentar-se. (Sentam-se ambos.)
O CREDOR - Mas cuido que Vossa Excelência ignora a que ponto chegaram as coisas.
GABRIELA - Infelizmente sei. Apaixonou-se por uma mulher perdida, e, não podendo suprir as despesas extraordinárias que acarretam essas loucuras, recorre ao jogo.
O CREDOR - Recorre a coisa pior, minha senhora.
GABRIELA - Como?
O CREDOR (Tirando um papel do bolso.) - Tenha a bondade de ver.
GABRIELA - É uma letra de quinhentos mil réis, assinada por meu marido.
O CREDOR - Examine bem a assinatura.
GABRIELA (Lendo.) - Pedro Salazar.
O CREDOR - Reconhece a assinatura como do próprio punho do senhor Salazar?
GABRIELA (Depois de uma pausa.) - Meu Deus! (À parte.) Falsa!
LOURENÇO (Corre, toma freneticamente a letra das mãos do credor e rasga-a.) - Oh!
O CREDOR - Estou duas vezes roubado! Vou ter com a Polícia!
GABRIELA (Tomando-o pelo braço.) - Por quem é, não o faça! É uma mãe que lho pede! Queira esperar aqui um momento. (Sai.)
LOURENÇO (Ajoelhando-se em frente ao Credor.) - Por tudo quanto há de mais sagrado, pelo amor que tem a sua mãe, não lhe faça mal, meu senhor! Juro por Maria Santíssima que lhe pagarei esse dinheiro dentro de pouco tempo, com o juro que quiser. (Ergue-se.)
GABRIELA (Voltando.) - Aqui estão algumas de minhas jóias. Leve-as, venda-as e pague-se, senhor!
O CREDOR (Depois de uma pausa.) - A prática dos negócios e o atrito dos interesses egoístas blindam-nos o coração e nos tornam insensíveis aos dissabores alheios; porém não tanto como o propalam os senhores sentimentalistas... sem vintém. Quando é necessário, temos coração. Guarde as suas jóias, minha senhora! Nada transpirará deste fato, e, quanto ao pagamento, fa-lo-á quando e como lhe for possível. Às ordens de vossa excelência.
GABRIELA (Apertando-lhe a mão.) - Obrigada!
LOURENÇO (Beijando-lhe as mãos.) - Sou um pobre escravo; mas as ações generosas fazem-me chorar... (Sai o Credor acompanhado por Lourenço.)
GABRIELA (Só.) - Meu Deus! meu Deus! quando acabará este martírio? (Cai numa cadeira a soluçar. Disfarça as lágrimas ao ver entrar a filha pelo braço do doutor.)
CENA V
GABRIELA, DOUTOR, CAROLINA, que entram sem ver GABRIELA
CAROLINA - Tenha coragem, Eugênio! Declare-se-lhe francamente. Afianço-lhe que será bem tratado e receberá o preciso consentimento.
DOUTOR - Não o creio, Carolina. Basta ver-me para ficar de mau humor. Vota-me uma antipatia invencível, leio-a nos seus olhos, no seu modo de falar, em tudo! E se, sendo tão mal visto pelo dono da casa, ainda me atrevo a pôr aqui os pés, é porque... é porque...
GABRIELA (Interpondo-se.) - É porque ama-a, e deseja casar-se com ela. Quanto a mim, honro-me muito em tê-lo por genro. Mas meu marido é contrário a esta idéia, e meu marido é teimoso.
CAROLINA - Minha mãe!
DOUTOR - Ignoro a causa desta aversão que ele me volta.
GABRIELA - Pois ignora?
DOUTOR - Decerto. Sou perfeitamente inocente.
GABRIELA - Não consta que o doutor tem idéias emancipadoras?
DOUTOR - Sim. Se bem que não apresente como paladino, faço modestamente tudo quanto posso pela causa da emancipação dos escravos. (Pausa.) Estou perfeitamente convicto de que a escravidão é a maior das iniquidades sociais, absolutamente incompatível com os princípios em que se esteiam as sociedades modernas. É ela, é só ela a causa real do nosso atraso material, moral e intelectual, visto como, sendo a base única da nossa constituição econômica, exerce a sua funesta influência sobre todos os outros ramos da atividade social que se derivam logicamente da cultura do solo. Mesmo no Rio de Janeiro, esta grande capital cosmopolita, feita de elementos heterogêneos, já hoje possuidora de importantes melhoramentos, o elemento servil é a pedra angular da riqueza. O estrangeiro que o visita, maravilhado pelos esplendores da nossa incomparável natureza, mal suspeita das amargas decepções que o esperam. Nos ricos palácios como nas vivendas burguesas, nos estabelecimentos de instrução como nos de caridades, nas ruas e praças públicas, nos jardins e parques, nos pitorescos e decantados arrabaldes, no cimo dos montes, onde tudo respira vida e liberdade, no íntimo do lar doméstico, por toda a parte, em suma, depara-se-lhe o sinistro aspecto do escravo, exalando um gemido de dor, que é ao mesmo tempo uma imprecação e um protesto. E junto do negro o azorrague, o tronco e a força, trípode lúgubre em que se baseia a prosperidade do meu país! Oh! não! Cada dia que continua este estado de coisas, é uma cusparada que se lança à face da civilização e da humanidade! Sei que me acoimarão de idealista, alegando que não se governam nações com sentimentalismos e retóricas. Pois bem, há um fato incontroverso e palpável, que vem corroborar as minhas utopias. E sabido que os imigrantes estrangeiros não procuram o Brasil ou não se conservam nele, por não quererem emparceirar-se com os escravos. A escravidão é uma barreira insuperável à torrente imigratória. Portanto penso que só há uma solução para o problema da transformação do trabalho: a espada de Alexandre!
CAROLINA - Muito bem, Eugênio: daria um jornalista esplêndido!
GABRIELA - As suas idéias, doutor, chegaram aos ouvidos do senhor Salazar, e foi quanto bastou para considerá-lo seu inimigo natural. (Ouve-se a voz de Josefa, que descompõe alguém, gritando.)
DOUTOR - Nesse caso, deverei perder as esperanças, porque, acima dos impulsos do meu coração, acham-se os princípios sagrados da liberdade e do direito conculcado.
GABRIELA - Mas não perca a esperança. Com paciência muito se conseguirá. Sobretudo, não precipite os acontecimentos.
CAROLINA (Que ouve a voz de Josefa, a qual não tem cessado de ralhar.) Titia Josefa destemperou! Vou bulir com ela! (Alto.) Ó titia, que é lá isso, pegou fogo na casa?
A VOZ DE JOSEFA (Mais próxima, enquanto o doutor conversa com Gabriela.) - Também você, sua delambida? Quer tomar chá de garfo comigo? Vem para cá, que te ponho as orelhas em pimentão!
CAROLINA (Sempre à porta.) - Não seja tão mazinha, titia do coração. (Foge para junto da mãe.)
JOSEFA (Nos bastidores.) - Tomara que já chegue o dia da minha morte, só para ver se eu descanso um dia na minha vida. (Atravessa a cena com uma vassoura na mão e uma caçarola na outra.) Amanhã me mudo desta casa. Não posso mais com esta vida! Que inferneira! te arrenego! (Sai. Carolina arremeda-a.)
CAROLINA - Venha cá, titia, olhe, escute!
GABRIELA (Ao doutor.) - Depois de amanhã vamos para a fazenda, onde passaremos um mês. O doutor não nos quer fazer companhia?
DOUTOR - Eu? Depois do que acabo de saber?
CAROLINA (Que se tem aproximado.) - Sem dúvida que há de ir, e por isso mesmo. Papai terá lá muito pouca gente com quem se entreter, e será obrigado a fazer as pazes com o senhor. Eu serei a intermediária. Ele não é tão mau como dizem.
GABRIELA - Além disso, o ar do campo tem a virtude de abrandar um tanto...
DOUTOR - Bem; nesse caso, aceito... (Baixo a Carolina, passando.) A tudo me sujeito para estar ao pé de ti. (Apertando-lhe a mão.) Adeus!
CAROLINA - Até quando?
DOUTOR - Até sempre. (Aperta a mão de Gabriela.) Dona Gabriela...
GABRIELA - Até sempre, doutor...
CAROLINA - Apareça para combinarmos na viagem. (O doutor cumprimenta e sai. À mãe.) Felizmente Eugênio é o médico da casa... Se não fosse isso, papai seria capaz de dar a entender que o não queria ver aqui...
GABRIELA - E se ainda o não deu, é por ignorar que ele te requesta. Mas vamos para dentro. (Toma as jóias.)
CAROLINA - As suas jóias? Por que estão aqui?
GABRIELA - Por nada... Vamos, Carolina. (Saem.)
CENA VI
SERAFIM, entrando a tocar duas escravas diante de si, e acompanhado por JOSEFA
JOSEFA - Mas ouça, homem de Deus!
SERAFIM - Desculpe, minha senhora, desculpe, não posso ouvir. A senhora já me tem demorado tanto! É até possível que o patrão me ponha no andar da rua! Eu sou tão caipora... sou um tipo tão arrebentado! Vamos raparigas! Vamos! Toca!
JOSEFA (Tomando-o pelo braço.) - Ouça, e veja se não tenho razão quando falo... escute...
SERAFIM - Virgem Nossa Senhora! Não posso agora! Estou com muita pressa! Logo mais!
JOSEFA - Não, há de ser já... escute! (Serafim sai correndo, tocando as negras adiante de si. À porta.) Malcriado! Trampolineiro! (Indo à janela.) Patife! Desavergonhado! Vou descompô-lo pela janela do beco! (Saindo.) Hás de pagar-me! Hei de ensinar-te a prestar atenção às pessoas mais velhas! (Sai gritando sempre. A cena fica vazia por alguns momentos. Por algum tempo, ouve-se ao longe a voz de Josefa. Entra Gustavo e atira, de mau humor, o chapéu ao chão.)
CENA VII
GUSTAVO, depois LOURENÇO
GUSTAVO - Desgraça! Desgraça! Só me falta, para solução final, cravar uma bala nos miolos. Já o tentei uma vez, mas falhou-me a energia e tremeu-me o braço. (Lourenço ao fundo espreita-o.) Uma coisa por demais! Não há meio de desforrar mil réis que sejam! (Pausa.) Mas é indispensável, urgente, imprescindível, que eu, de qualquer modo, resgate aquela letra, para ao menos ressalvar o resto de vergonha e honradez compatível com a deplorável vida que levo! (Atira-se no sofá e fecha os olhos. Pausa.) Treze... Treze... Quatorze! Quinze! Chorrilho de grandes! Em um quarto de hora posso ganhar uma fortuna, deixando a dobrar! (Abre os olhos, olha em roda de si e aponta para o gabinete.) É ali. (Tirando uma chave do bolso.) A chave cabe perfeitamente... Tiro o dinheiro, e em menos de meia hora o reponho! Ninguém o saberá. (Dirige-se para o gabinete e estaca na porta.) Gustavo! Gustavo! que vais fazer? Miserável! Ah! Porém... Ora! Não há dúvida! Bastará um chorrilho de oito grandes para endireitar tudo! (Sai.)
CENA VIII
LOURENÇO, depois GUSTAVO
LOURENÇO (Que tem acompanhado ao fundo todo o monólogo de Gustavo, dirige-se à porta do gabinete e espreita.) - Que faz ele? Jesus! Misericórdia! Abre a secretária com uma chave falsa! Ah! não! custe o que custar, hei de impedir aquela infâmia, que o desonra... e que me desonra também!
GUSTAVO (Voltando, sem ver Lourenço, contando o dinheiro.) - Trezentos! Trezentos e cinquenta! Um chorrilho de oito grandes é coisa muito comum nos dados. Pondo cinquenta mil réis a dobrar, levanto quatro contos e oitocentos num abrir e fechar d’olhos! (Vai a sair.)
LOURENÇO (Interpondo-se.) - Dê-me isto?!
GUSTAVO (Surpreendido.) - Isto quê?!
LOURENÇO - Dê cá este dinheiro!
GUSTAVO - Enlouqueceste! Quem és tu para me falares assim?
LOURENÇO - Eu, Lourenço. Sou eu.
GUSTAVO - Arreda, bêbado! Deixa-me passar!
LOURENÇO - Não há de sair daqui com o que tem na mão!
GUSTAVO - Não estou agora para aturar-te a cachaça! Se estivesses bom da cabeça, pagavas-me caro o desaforo! (Vai a sair.)
LOURENÇO (Colocando-se na porta.) - Não sairá sem me entregar este dinheiro!
GUSTAVO (Encolerizado.) - Deixa-me, diabo!
LOURENÇO - Não! (Segura Gustavo, que tenta sair.)
GUSTAVO - Cão! Olha que és um negro cativo, e eu sou teu senhor!
LOURENÇO - Pouco importa! Não posso consentir no que faz! Entregue-me o dinheiro! (Pequena luta, finda a qual, Lourenço tem-se apoderado do dinheiro.)
GUSTAVO - Miserável! Ladrão! Patife! Corto-te a chicote! (Dá-lhe uma bofetada no momento em que aparece Gabriela.)
CENA IX
LOURENÇO, GUSTAVO, GABRIELA
GABRIELA - Lourenço! Gustavo! Meu Deus!...
LOURENÇO (Em tom singular.) - Esta bofetada será um direito perante os homens, mas perante Deus é um sacrilégio. Eu...
GABRIELA (Correndo para Lourenço.) - Lourenço, não o digas!
LOURENÇO (Desvencilhando-se.) - Eu sou teu pai! (Tomando Gabriela pelo braço.) Negue! Negue, se é capaz! (Gabriela dá um grito e cai desfalecida. Longa pausa. Gustavo fulminado recua paulatinamente, fitando Lourenço com o olhar desvairado. Entra Salazar, que estaca no fundo ao ver a cena.)
CENA X
OS MESMOS, SALAZAR
SALAZAR (Descendo.) - Que é isto?! Minha mulher desmaiada... Meu filho desvairado... Este negro... (Vendo dinheiro.) Dinheiro! (Tomando-lhe das mãos.) Dinheiro?! Onde o roubaste?
LOURENÇO (Caindo de joelhos a soluçar.) - Da sua secretária, meu senhor.
SALAZAR (Colérico.) - Ladrão! Além do mais, é ladrão!
GUSTAVO (Como voltando a si, febrilmente.) - Negro?! Eu! Filho de um escravo! Oh!... Impossível! Meu Deus!
FIM DO SEGUNDO ATO
ATO III
Na fazenda do Pouso-alto. Sala interior, vendo-se ao fundo o terreiro, com depósito de cereais e aparelhos agrícolas. Arvoredos, etc., etc. Ao levantar do pano, ouve-se a voz do feitor dando ordens.
CENA I
JOSEFA, EVARISTO
A VOZ DE EVARISTO - Se não tens força, vou eu ensinar-te! (Ouve-se estalar o chicote) Tira o couro deste animal! Grita, burro, que quanto mais barulho fizeres, pior será. (Gemidos de dor.) Levem-no para o roçado novo, à beira d’água, amarrem-no a um tronco de árvore! Lá poderá berrar à vontade. (Esvaem-se os gemidos e a voz.)
JOSEFA (Entrando.) - É só o que se vê desde menhã até de noite! Negro, café, chicote, tronco; tronco; café, chicote, negro. Despois que aqui cheguemos, há mais de quinze dias, inda não vi nem ouvi outra coisa! Quem é que pode com esta vida? Despois dizem que eu sou faladeira... Eu só falo quando tenho rezão. Se não querem me ouvir, vou pro meio do cafezal, e hei de falar, falar, até não poder mais! Quem é que pode ficar calado quando assunta coisas daquelas! A gente perde até a vontade de comer! Ora, quem havera de pensar! ... Bem sei por que ela ficou maluca... Desde muito tempo que o tal nhonhô Gustavinho me dava que pensar! Ela é branca, o mano é muito disfarçado... Como é que saiu um filho moreno e de cabelos duros? Isto sempre me intrigou; mas, enfim, não dizia nada, porque eu só falo quando tenho rezão... Porém, despois que vi o tal Gustavinho variando por causa da moléstia, confirmaram-se as minhas desconfianças, e vou dar parte ao mano, aconteça o que acontecer. E sabe Deus, sabe Deus, se ela está doida, e se aquilo de estar no hospício não é manha! E de família! Já a mãe não se falava bem dela, e a irmã....cala-te, boca! Elas, pelo menos, procuravam gente branca. Mas não um escravo, um negro! Oh! fico toda arrepiada quando penso nisso! (À parte.) Com um escravo! parede. (A uma cadeira.) Com um negro, cadeira! (Ao sofá.) Um negro! (Repete a todos os objetos que se acham na sala com tremeliques nervosos e sai com as mãos na cabeça e repetindo.) Um negro! Um negro!...
CENA II
DOUTOR, CAROLINA; entra cada um de seu lado
CAROLINA (Indo ao encontro do doutor.) - Como o acha, Eugênio?
DOUTOR - Posso quase assegurar-lhe que está livre de perigo, salvo complicações imprevistas; Gustavo foi presa de uma fortíssima comoção cerebral que, se devesse matá-lo, já o teria feito. Consegui debelar a febre que o prostava, e cuido que o seu estado deixou de ser melindroso.
CAROLINA - E minha mãe, e minha pobre mãe?!
DOUTOR - Talvez recupere a razão no Hospício de Pedro II, para o qual foi necessário removê-la. Mas não tenho esperança alguma. A sua loucura apresenta um caráter horrível.
CAROLINA (Chorando, apoia-se ao ombro do doutor.) - Eugênio! No meio de que desgraças e dissabores tem se alimentado o nosso amor!
DOUTOR - Consola-te, Carolina.
CAROLINA - E por mais que procure, não atino com a causa de tanto infortúnio. Minha mãe louca.... Gustavo doente... Lourenço... Não sei por quê, mas parece-me que Lourenço não é estranho a estas desgraças... A cólera de papai, a fugida de Lourenço...
DOUTOR - Lourenço subtraiu dinheiro da secretária de seu pai... A exaltação do senhor Salazar impressionou dona Gabriela a ponto de lhe tirar a razão... A doença de Gustavo é causada, sem dúvida, pelo estado em que viu sua mãe!
CAROLINA - Vamos ter com Gustavo... É preciso não abandoná-lo um só momento... Pobre irmão! Venha comigo, Eugênio. (Saem)
CENA III
SALAZAR, EVARISTO, FEITOR
SALAZAR - Encampo tudo quanto fizer. Para negros não há contemplações.
EVARISTO - Eu cá não brindo. À menor falta que cometam, trabalha o bacalhau feio e forte!
SALAZAR - Assim! Entendo que o negro só deixa resultado com o seguinte sistema: das cinco da manhã às sete da noite é roçar, derrubar matas e apanhar café; às oito da manhã e à uma da tarde é angu, abóbora e couve. E sempre que for possível, chicote e tronco, para tirar-lhes a preguiça!
EVARISTO - É o sistema por mim seguido desde que o senhor me confiou a administração desta fazenda. Tenho-me dado muito bem com ele, e não pretendo mudá-lo.
SALAZAR - São todos mansos como cordeiros.
EVARISTO - A maior parte. Há um grupo de quatro ou cinco um tanto rebeldes. Negros novos. Gente do Ceará. Antipatizam comigo; mas essa ojeriza têm-lhes custado caro. Ainda há pouco, mandei surrar um deles com todos os sacramentos... Prometo que hei de pô-los a todos no bom caminho! E o tal Lourenço? Nada?
SALAZAR - Já foi filado, segundo um telegrama de Serafim, que hoje recebi. O rapaz é esperto, foi uma bela aquisição, o Serafim!
EVARISTO - Ainda bem! Agora sua licença: vou dar providências sobre o embarque do café!
SALAZAR – Vá, vá, senhor Evaristo. (Evaristo sai) É o beijinho dos feitores.
CENA IV
JOSEFA, SALAZAR
SALAZAR (A Josefa, que entra.) - Como vai o rapaz, mana?
JOSEFA - Sei cá! Pode ir melhor, ou pior, ou na mesma, pouco se me dá!
SALAZAR - Oh! não tanto assim! Gustavo é um estróina, é um inútil, convenho; mas afinal, é meu filho, e portanto seu sobrinho...
JOSEFA - Meu, não! Lavo a testada!
SALAZAR - Hein?...
JOSEFA - Nunca!
SALAZAR - Nunca?!
JOSEFA - Jamais!
SALAZAR - Explique-se! Não gosto de meias palavras.
JOSEFA - Quantos dedos tenho eu nesta mão?
SALAZAR - Cinco, creio.
JOSEFA - E nesta outra?
SALAZAR - Cinco também, parece-me!
JOSEFA - E nas duas juntas?
SALAZAR - Ora vá para o inferno.
JOSEFA - Diga!
SALAZAR - Dez! Vamos lá!
JOSEFA - Pois tenho tanta certeza de ter cinco nesta, cinco nesta, e dez nas duas juntas, como tenho a certeza de que o tal Gustavinho não é seu filho, e muito menos meu sobrinho.
SALAZAR - Você está caducando ou deu na aguardente do alambique!
JOSEFA - Mano, eu só falo...
SALAZAR - Quando tem razão: os doidos dizem a mesma coisa.
JOSEFA - Desculpo as suas má-criações, porque eu só quero o seu bem. Está então convencido de que esse coisinha é obra sua?
SALAZAR - Não! provavelmente há de ser do vigário.
JOSEFA - Olhe que eu estou falando sério. Quem dera que fosse do vigário!
SALAZAR - Então há de ser do diácono!?
JOSEFA - Desça!
SALAZAR - Do sacristão.
JOSEFA - Desça mais!
SALAZAR - Ora desça você para as profundezas do inferno com a sua língua de víbora, e vá aborrecer ao diabo que a carregue!
JOSEFA (Segurando-lhe no braço) - Diga-me uma coisa: que dia é hoje?
SALAZAR - Sexta-feira.
JOSEFA - Quantos do mês?
SALAZAR - Doze.
JOSEFA - Que horas são?
SALAZAR - Deve ser dez. Ora, senhor! Já me não bastava a mulher doida! Também esta!
JOSEFA - Pois bem: tome nota do que lhe disse, mês, semana, dia, hora, e lugar.(Saindo, com ironia.) Eu é que sou maluca! Eu é que sou maluca! (Saída falsa.)
SALAZAR (Segurando-a com força pelo braço.) - Velha maldita! explique-se ou a esgano! Não sei a quem se referem as suas suspeitas. Você não passa de uma miserável caluniadora, de uma vil intrigrante, de uma envenenadora de profissão! Eis aí ! (Dá-lhe um empurrão, Josefa vai cair sobre o sofá.)
JOSEFA (Erguendo-se.) - Apare o carro! Quer que eu me explique? Pois eu me explico. (Pausa.) De que cor é a sua pele?
SALAZAR - Aí vem o estilo cabalístico! (Com força.) Branca!
JOSEFA - Sim... . apesar de que o nosso bisavô materno era pardo.
SALAZAR (Tapando-lhe a boca.) - Psit, mulher!...
JOSEFA - Bem pardo!
SALAZAR - Mana!
JOSEFA - E foi escravo até a idade de cinco anos!
SALAZAR - Cala-te, diabo!
JOSEFA - Ninguém nos ouve. Era mulato e escravo; mas a aliança com galegos purificou a raça, de sorte que tanto você como eu somos perfeitamente brancos... Temos cabelos lisos e corridos, beiços finos e testa larga.
SALAZAR - Bem; que mais?
JOSEFA - Qual é a cor de sua mulher?
SALAZAR - Branca...
JOSEFA - E bem branca. Ora, sim, senhor. Como é que explica que seu filho seja bastante moreno, tenha beiços grossos e cabelos duros? Hein?
SALAZAR (Sorrindo.) - Você é uma toleirona. Também a mim, isto causava espécie; mas disse-me um médico ser este fato observado em famílias que contam um ou mais ascendentes remotos de cor. Desgostou-me muito isso; mas enfim! São caprichos da natureza! Uma raça não se purifica inteiramente senão depois de séculos... A mestiçagem com africanos produz atavismos...
JOSEFA - Bem... não digo mais nada... Prefiro deixá-lo na doce ilusão. (Vai a sair.)
SALAZAR (Segurando-a.) - Com mil diabos! Já agora quero saber!
JOSEFA - Quer?
SALAZAR - Sim!
JOSEFA - Pois ouça lá, mesmo porque já estou engasgada. Sou capaz de estourar, se fico calada! Ontem à noite fui ao quarto de Gustavo... Ele estava ardendo em febre e delirava... Sabe o que dizia? Dizia assim - Eu? Filho de um negro? Eu? Negro? Eu? Ladrão?!
SALAZAR (Muito agitado.) - E o que conclui você daí?
JOSEFA (Hipocritamente.) - Concluo... concluo que o Lourenço é uma cria de família... muito estimado... escandalosamente protegido por sua mulher. Deus lhe perdoe, e.. (Salazar agarra na garganta da velha, dá um grito e sai correndo.)
CENA V
JOSEFA (Só.)
JOSEFA - Quase me estrangula! Ih! Nunca pensei que a coisa causasse tanto barulho! (Com voz medrosa e de mãos postas.) Meu Santo Antônio, fazei com que não aconteça alguma desgraça, porque tal não era a minha intenção! Juro que não era a minha intenção! Juro que não era! (Jura com os dedos em cruz.) Vós bem sabeis, meu bom santo, que só falo quando tenho rezão. Vou para o meu oratório rezar dez padre-nossos e dez ave-marias, para que fique tudo em paz nesta casa! (Benze-se.) Minha Nossa Senhora das Candeias! Ainda bem que eu estou fora de toda esta intrigalhada (Fora de cena.)... e tenho a minha consciência limpinha. Só me meto com a minha vida... (Perde-se a voz.)
CENA VI
GUSTAVO. magro, pálido, alquebrado, amparado pelo DOUTOR e por CAROLINA
DOUTOR - É uma imprudência! Faz mal, faz mal, senhor Gustavo!
GUSTAVO - Não, doutor... ficarei sossegado... aqui... nesta poltrona... (Sentam-no.)
CAROLINA - Meu irmão, atende ao teu médico...
GUSTAVO - Deixem-me... quero estar só! (Fecha os olhos. Carolina, depois de uma pausa, julgando-o a dormir, impõe silêncio ao doutor, toma-o pelo braço e saem ambos pé ante pé. Só.) Terrível! terrível pesadelo de todos os momentos! Oh! por que me não fulminou um raio, minutos depois daquela monstruosa revelação?! Deus! Destino! Providência! Acaso! Qualquer que seja o teu nome, és bem cruel para aquele cujo único crime foi a leviandade e a inexperiência próprias da mocidade! (Nervosamente.) Gustavo Salazar, és filho de um escravo! Ferve-te nas veias o sangue africano! Pertences à raça maldita dos párias negros! À qual sempre votaste o desprezo mais profundo! Tua mãe prevaricou com um escravo... Oh! (Soluça amargamente.)
CENA VII
O MESMO, SERAFIM, LOURENÇO
SERAFIM traz pelo cós da calça LOURENÇO, que tem as mãos amarradas sobre as costas, e está magro, hirsuto e com ar idiota.
SERAFIM - Aqui está o negro! Safa! Custei! (À parte.) Quando ia entrar na estação da estrada de ferro, encontrei o presidente do Clube Abolicionista Pai Tomás... Mas é preciso ganhar a vida! (Gustavo ergue-se e recua espavorido para o canto oposto do teatro, fitando Lourenço com o olhar desvairado.) Admira-se, não é assim? Ah! eu cá, quando porfio, mato caça. Eu e dois pedestres andamos por ceca e meca e Olivares de Santarém, mas afinal seguramos o negro, e bem seguro! (A Lourenço.) Foge agora, se és capaz, tratante! cachorro! peste! descara...
GUSTAVO (Segurando-o pela garganta.) - Cale-se!
SERAFIM (Engasgado.) - Fala comigo?
GUSTAVO - Se ousar dirigir-lhe a mais leve injúria, mato-o! (Larga-o).
SERAFIM (À parte.) - Esta agora! que bicho o mordeu? (Alto.) Mas senhor Gustavo...
GUSTAVO - Saia! (Empurra-o.)
SERAFIM (Saindo, à parte.) - Ora, dá-se! Homessa!...
CENA VIII
GUSTAVO, LOURENÇO, depois o DOUTOR
Cena muda. Ficam em frente um do outro, silenciosos.
GUSTAVO (Consigo.) - Sonho terrível! Meu... pai, aquele que ali está! Mas, não! É o delírio da febre... Impossível! (Pausa. Inclina-se sobre o sofá e oculta o rosto, soluçando.) Dilata-se-me o coração... estala-se-me o peito que mal o pode conter... É o grito fatal da natureza! É a voz sagrada do sangue! (Por três vezes sucessivas Gustavo vai dirigir-se a Lourenço, mas, ao aproximar-se dele, recua convulsivamente, com certa repugnância. Lourenço curva a cabeça e soluça. Neste momento, o doutor vai entrar, mas, vendo o quadro, volta e assiste à cena, da porta, sem ser visto pelos dois.) Aquele que ali está amarrado e vi ipendiado, que em breve vai sentir nos seus pés o ferro da ignomínia e em suas costas o açoite infamante do cativeiro, é... é meu pai. (A tira-se aos braços de Lourenço, o qual, com um supremo esforço e dando três solavancos, quebra as cordas que lhe algemam os pulsos. Ficam abraçados.)
DOUTOR (À parte.) - Compreendi tudo! meu Deus!... (Desaparece.)
CENA IX
GUSTAVO, LOURENÇO,. SALAZAR, SERAFIM, depois EVARISTO
SALAZAR (Depois de fitá-los com ódio, a Serafim.) - Vá chamar o Evaristo. (Serafim sai.)
GUSTAVO - Para que o Evaristo?
SALAZAR - Com que direito me faz essa pergunta?
GUSTAVO - Não sei! Pergunto para que manda chamar o Evaristo?
SALAZAR - Para arrancar o couro àquele negro!
EVARISTO (Entrando.) - Pronto!
SALAZAR (Apontando para Lourenço.) - Ei-lo! Entrego-lho à discrição. (Evaristo, com um gesto de ameaça, dirige-se para Lourenço.)
GUSTAVO - Não lhe toque!
SALAZAR (À parte.) - Ah! (Alto, brandindo o chicote que arranca das mãos do feitor.) Pois começarei eu mesmo!
GUSTAVO (Interpondo-se.) - Por Deus, que o não há de fazer!
SALAZAR (Furioso.) - Afaste-se! Afaste-se! senão aplico-lhe uma chicotada!...
LOURENÇO (A Gustavo.) - Deixe-o, meu senhor... Eu sei o que devo fazer. (Sai. Evaristo acompanha-o, Gustavo quer também acompanhá-lo, mas cai abatido e tenta em vão erguer-se.)
CENA X
SALAZAR, GUSTAVO
SALAZAR - Filho do meu escravo!
GUSTAVO - Já o sabia?! Tanto agora como mais tarde!
SALAZAR - Esta sala não é lugar de moleques. Saia!
GUSTAVO (Erguendo-se a custo.) - Sairei... Antes, porém, há de ouvir-me...
SALAZAR - Não discuto com os filhos dos meus escravos!
GUSTAVO (Com calma terrível.) - Sou filho do seu escravo, sim, e nem por isso me julgo mais desprezível do que quando supunha ser seu filho, percebe? A febre escalda-me.., o delírio faz-me ver a nu a verdade das coisas... Ouça-me... (Segurando-o.) Desde o momento em que soube que me corria nas veias o sangue de um escravo, senti que este sangue vinha, não deturpar ou desonrar, mas sim tonificar o meu organismo, corrompido pela educação que o senhor me deu! Agora, ao menos, tenho no coração um sentimento, coisa que só de nome conhecia... Dinheiro! estolidez! vícios! crueldade! insolência! bestialidade! eis tudo quanto eu sabia do mundo. E foi o senhor que me ensinou! Percebe?
SALAZAR - Já disse que não discuto com um negro!...
GUSTAVO - Negro, sim! Sou da raça escravizada! Sinto as faces abrazadas pelo sangue ardente dos filhos do deserto, que os seus predecessores algemam à traição, para virem com eles poluir o seio virgem das florestas americanas! Negro, sim! Sou negro! Estou aqui em sua frente como uma solene represália de milhares de desgraçados cujas lágrimas o têm locupletado. Ah! os senhores pisam a tacões a raça maldita, cospem-lhe na face?! Ela vinga-se como pode, introduzindo a desonra no seio de suas famílias! (Cai extenuado e em prantos.) Ó minha mãe!
SALAZAR - Não me fale em sua mãe, senhor! se não estivesse louca, eu...
CENA XI
OS MESMOS, SERAFIM, que entra esbaforido, depois JOSEFA
SERAFIM - Patrão.., patrão... O Lourenço enforcou-se!
GUSTAVO (Com um grito.) - Enforcou-se! (Sai como um louco, mal podendo suster. Salazar tem um sorriso de satisfação.)
SERAFIM - Os negros, ao verem-no morto, revoltam-se, e, armados de foices, perseguem o feitor pelo cafezal a dentro! Acuda-o!
SALAZAR - Miseráveis! (Agarra uma espingarda que está a um canto e sai arrebatadamente)
SERAFIM (Só.) - Escapei de boas! Qual! Decididamente não me serve o ofício! É muito perigoso e eu tenho amor à pele! Vou fazer-me de novo abolicionista, e voltar ao Clube Pai Tomás, para ver se melhoro de condição...
JOSEFA (Entrando com muito medo.) - Senhor Serafim! Senhor Serafim! (Ouve-se fora vozeria confusa.) Misericórdia! (Foge, benzendo-se.)
SERAFIM - Eu aqui não estou seguro! Vou esconder-me no quarto da velha. (Sai. Continua a vozeria.)
CENA XII
SALAZAR, depois CAROLINA, depois escravos, o DOUTOR
O ruído cresce e aproxima-se. Ouve-se a detonação de uma espingarda. Salazar entra perseguido e coloca-se contra a porta, que de fora tentam arrombar.
SALAZAR - Venham! Morrerei no meu posto e venderei caro a vida!
CAROLINA (Entrando.) - Não se exponha! Fuja por ali, meu pai!
SALAZAR (Louco de furor.) - Seu pai? Eu! Procure-o no meio desses que vêm me assassinar. Talvez o encontre!
(Arrombam a porta. Entra uma multidão de escravos armados de foices e machados. Avançam para Salazar. Carolina, interpondo-se, ajoelha.)
CAROLINA (Com lágrimas na voz.) - É meu pai! Piedade! (Os negros ficam interditos, olham uns para os outros, abatem as armas e retiram-se resmungando, Salazar abraça Carolina e chora.)
SALAZAR - São as minhas primeiras lágrimas, Carolina! (Longa pausa, durante a qual Salazar soluça apoiado ao colo da filha.) Mas... Gustavo?
DOUTOR (Entrando.) - Fui encontrá-lo morto, junto ao cadáver de seu pai.
FIM DA PEÇA
(Cai o pano)
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
MODELO DE BULA DE REMÉDIO
IDENTIFICAÇÃO DO MEDICAMENTO: Abcd / Secotex/ cloridrato de tansulosina
FORMA FARMACÊUTICA E APRESENTAÇÕES
Cápsulas de liberação prolongada: embalagens com 20 e 30 cápsulas.
Via oral.
USO ADULTO:Cada cápsula contém 0,4 mg de cloridrato de tansulosina correspondentes a 0,37 mg de tansulosina. Excipientes: celulose microcristalina, copolímero de ácido metilacrílico, polissorbato 80, laurilsulfato de sódio, triacetina, estearato de cálcio, talco.
INFORMAÇÕES AO PACIENTE
AÇÃO DO MEDICAMENTO ou COMO ESTE MEDICAMENTO FUNCIONA?
SECOTEX reduz a tensão da musculatura da próstata e da uretra e desse modo promove o aumento do fluxo urinário. O tempo médio estimado do início de ação é entre 4 e 8 horas.
INDICAÇÕES DO MEDICAMENTO ou POR QUE ESTE MEDICAMENTO FOI INDICADO?
SECOTEX alivia os sintomas da hiperplasia prostática benigna (HPB).
RISCOS DO MEDICAMENTO ou QUANDO NÃO DEVO USAR ESTE MEDICAMENTO?
Contra-indicações :ecotex Paciente 1
Alergia a qualquer componente do produto. Este medicamento é contra-indicado na faixa etária abaixo de 16 anos.
Advertências (Informe ao médico ou cirurgião-dentista o aparecimento de reações indesejáveis. Não use medicamento sem o conhecimento do seu médico. Pode ser perigoso para sua saúde.)
Precauções
SECOTEX pode provocar diminuição da pressão arterial que, em casos raros, pode levar a falha da circulação. Pacientes que já apresentaram pressão baixa ao se levantar podem ser mais propensos a terem falha da circulação. Aos primeiros sinais de pressão baixa ao se levantar como tontura e fraqueza, você deve sentar-se ou deitar-se até o desaparecimento dos sintomas.
Pacientes com insuficiência renal ou hepática grave devem ser tratados com cautela.
Muito raramente pode ocorrer priapismo que é a ereção persistente e dolorosa do pênis não relacionada à atividade sexual. Contatar o médico se tais reações ocorrerem.
Em alguns pacientes em tratamento, ou que haviam sido tratados anteriormente com tansulosina, foi observada a ocorrência, durante a realização da cirurgia de catarata, da ‘Síndrome Intraoperatória da Íris Frouxa (IFIS). Esta síndrome pode aumentar a incidência de complicações durante a cirurgia de catarata. Assim sendo não é recomendado iniciar o tratamento com tansulosina caso exista programação para realização da cirurgia de catarata. A interrupção do tratamento com tansulosina , 1 a 2 semanas antes da cirurgia de catarata, pode ser de alguma ajuda, no entanto, a duração e o benefício desta interrupção ainda não foram estabelecidos.
Durante a avaliação pré-operatória, os cirurgiões e oftalmologistas devem ser informados sobre o tratamento com tansulosina para que medidas apropriadas sejam tomadas durante a cirurgia.
Interações medicamentosas
O diclofenaco e a varfarina podem aumentar a velocidade de eliminação da tansulosina.
Secotex Paciente 2
A administração concomitante de outros medicamentos que atuam de modo similar à tansulosina pode causar pressão baixa. Informe ao seu médico ou cirurgião-dentista se você está fazendo uso de algum outro medicamento.
MODO DE USO ou COMO DEVO USAR ESTE MEDICAMENTO?
Aspecto físico
As cápsulas duras de SECOTEX são compostas por 2 partes. Uma parte da cápsula é alaranjada e a outra verde-oliva. Na parte alaranjada está gravado em preto T0.4 e o símbolo da empresa. Dentro das cápsulas, há grânulos brancos.
Características organolépticas Vide aspecto físico.
Dosagem:Tomar uma cápsula ao dia, após o café-da-manhã.
Ingerir a cápsula inteira, sem mastigar, com um pouco de líquido (por exemplo, um copo de água).
Siga a orientação do seu médico, respeitando sempre os horários, as doses e a duração do tratamento. Não interrompa o tratamento sem o conhecimento do seu médico. Não use o medicamento com o prazo de validade vencido. Antes de usar observe o aspecto do medicamento. Este medicamento não pode ser partido ou mastigado.
Como usar
Vide Dosagem.
REAÇÕES ADVERSAS ou QUAIS OS MALES QUE ESTE MEDICAMENTO PODE CAUSAR?
Durante o uso de SECOTEX podem ocorrer tontura, ejaculação anormal e, menos freqüentemente, dor de cabeça, fraqueza, tontura ao se levantar, palpitações e rinite.
Ocasionalmente podem ocorrer náusea, vômito, diarréia e intestino preso.
ecotex Paciente 3
Podem ocorrer ocasionalmente reações alérgicas tais como erupção cutânea, coceira e urticária. Raramente ocorreu edema dos vasos sangüíneos.
Raramente podem ocorrer desmaio e priapismo que é a ereção persistente e dolorosa do pênis não relacionada à atividade sexual.
Existem relatos de ocorrência da Síndrome Intraoperatória da Íris Frouxa, na qual a pupila deixa de dilatar-se, durante a realização da cirurgia de catarata em pacientes em tratamento com tansulosina. (vide item Precauções).
CONDUTA EM CASO DE SUPERDOSE ou O QUE FAZER SE ALGUÉM USAR UMA GRANDE QUANTIDADE DESTE MEDICAMENTO DE UMA SÓ VEZ?
Procurar auxílio médico imediatamente.
Pode ocorrer crise de pressão baixa e forte dor de cabeça após a ingestão de uma superdose.
CUIDADOS DE CONSERVAÇÃO E USO ou ONDE E COMO DEVO GUARDAR ESTE MEDICAMENTO?
Manter o medicamento em temperatura ambiente (15°C a 30°C). Proteger da luz e da umidade. Todo medicamento deve ser mantido fora do alcance das crianças.
DIZERES LEGAIS MS - 1.0367.0105 Farmacêutica responsável: Laura M. S. Ramos – CRF/SP-6870 Nº do lote, data de fabricação e prazo de validade: vide cartucho.
Esta bula é atualizada continuamente. Por favor, proceda à sua leitura antes de utilizar o medicamento. Para sua segurança, mantenha esta embalagem até o uso total do medicamento.
Fabricado e embalado por: Astellas Pharma Europe B. V. Secotex Paciente 4JC Meppel - Holanda /Indústria Holandesa Importado por: Boehringer Ingelheim do Brasil Química e Farmacêutica Ltda. Rodovia Regis Bittencourt (BR 116), km 286 Itapecerica da Serra – SP CNPJ/MF nº 60.831.658/0021-10 SAC 0800-701 6633 Venda sob prescrição médica SPC 20060706 C 06-02
IDENTIFICAÇÃO DO MEDICAMENTO: Abcd / Secotex/ cloridrato de tansulosina
FORMA FARMACÊUTICA E APRESENTAÇÕES
Cápsulas de liberação prolongada: embalagens com 20 e 30 cápsulas.
Via oral.
USO ADULTO:Cada cápsula contém 0,4 mg de cloridrato de tansulosina correspondentes a 0,37 mg de tansulosina. Excipientes: celulose microcristalina, copolímero de ácido metilacrílico, polissorbato 80, laurilsulfato de sódio, triacetina, estearato de cálcio, talco.
INFORMAÇÕES AO PACIENTE
AÇÃO DO MEDICAMENTO ou COMO ESTE MEDICAMENTO FUNCIONA?
SECOTEX reduz a tensão da musculatura da próstata e da uretra e desse modo promove o aumento do fluxo urinário. O tempo médio estimado do início de ação é entre 4 e 8 horas.
INDICAÇÕES DO MEDICAMENTO ou POR QUE ESTE MEDICAMENTO FOI INDICADO?
SECOTEX alivia os sintomas da hiperplasia prostática benigna (HPB).
RISCOS DO MEDICAMENTO ou QUANDO NÃO DEVO USAR ESTE MEDICAMENTO?
Contra-indicações :ecotex Paciente 1
Alergia a qualquer componente do produto. Este medicamento é contra-indicado na faixa etária abaixo de 16 anos.
Advertências (Informe ao médico ou cirurgião-dentista o aparecimento de reações indesejáveis. Não use medicamento sem o conhecimento do seu médico. Pode ser perigoso para sua saúde.)
Precauções
SECOTEX pode provocar diminuição da pressão arterial que, em casos raros, pode levar a falha da circulação. Pacientes que já apresentaram pressão baixa ao se levantar podem ser mais propensos a terem falha da circulação. Aos primeiros sinais de pressão baixa ao se levantar como tontura e fraqueza, você deve sentar-se ou deitar-se até o desaparecimento dos sintomas.
Pacientes com insuficiência renal ou hepática grave devem ser tratados com cautela.
Muito raramente pode ocorrer priapismo que é a ereção persistente e dolorosa do pênis não relacionada à atividade sexual. Contatar o médico se tais reações ocorrerem.
Em alguns pacientes em tratamento, ou que haviam sido tratados anteriormente com tansulosina, foi observada a ocorrência, durante a realização da cirurgia de catarata, da ‘Síndrome Intraoperatória da Íris Frouxa (IFIS). Esta síndrome pode aumentar a incidência de complicações durante a cirurgia de catarata. Assim sendo não é recomendado iniciar o tratamento com tansulosina caso exista programação para realização da cirurgia de catarata. A interrupção do tratamento com tansulosina , 1 a 2 semanas antes da cirurgia de catarata, pode ser de alguma ajuda, no entanto, a duração e o benefício desta interrupção ainda não foram estabelecidos.
Durante a avaliação pré-operatória, os cirurgiões e oftalmologistas devem ser informados sobre o tratamento com tansulosina para que medidas apropriadas sejam tomadas durante a cirurgia.
Interações medicamentosas
O diclofenaco e a varfarina podem aumentar a velocidade de eliminação da tansulosina.
Secotex Paciente 2
A administração concomitante de outros medicamentos que atuam de modo similar à tansulosina pode causar pressão baixa. Informe ao seu médico ou cirurgião-dentista se você está fazendo uso de algum outro medicamento.
MODO DE USO ou COMO DEVO USAR ESTE MEDICAMENTO?
Aspecto físico
As cápsulas duras de SECOTEX são compostas por 2 partes. Uma parte da cápsula é alaranjada e a outra verde-oliva. Na parte alaranjada está gravado em preto T0.4 e o símbolo da empresa. Dentro das cápsulas, há grânulos brancos.
Características organolépticas Vide aspecto físico.
Dosagem:Tomar uma cápsula ao dia, após o café-da-manhã.
Ingerir a cápsula inteira, sem mastigar, com um pouco de líquido (por exemplo, um copo de água).
Siga a orientação do seu médico, respeitando sempre os horários, as doses e a duração do tratamento. Não interrompa o tratamento sem o conhecimento do seu médico. Não use o medicamento com o prazo de validade vencido. Antes de usar observe o aspecto do medicamento. Este medicamento não pode ser partido ou mastigado.
Como usar
Vide Dosagem.
REAÇÕES ADVERSAS ou QUAIS OS MALES QUE ESTE MEDICAMENTO PODE CAUSAR?
Durante o uso de SECOTEX podem ocorrer tontura, ejaculação anormal e, menos freqüentemente, dor de cabeça, fraqueza, tontura ao se levantar, palpitações e rinite.
Ocasionalmente podem ocorrer náusea, vômito, diarréia e intestino preso.
ecotex Paciente 3
Podem ocorrer ocasionalmente reações alérgicas tais como erupção cutânea, coceira e urticária. Raramente ocorreu edema dos vasos sangüíneos.
Raramente podem ocorrer desmaio e priapismo que é a ereção persistente e dolorosa do pênis não relacionada à atividade sexual.
Existem relatos de ocorrência da Síndrome Intraoperatória da Íris Frouxa, na qual a pupila deixa de dilatar-se, durante a realização da cirurgia de catarata em pacientes em tratamento com tansulosina. (vide item Precauções).
CONDUTA EM CASO DE SUPERDOSE ou O QUE FAZER SE ALGUÉM USAR UMA GRANDE QUANTIDADE DESTE MEDICAMENTO DE UMA SÓ VEZ?
Procurar auxílio médico imediatamente.
Pode ocorrer crise de pressão baixa e forte dor de cabeça após a ingestão de uma superdose.
CUIDADOS DE CONSERVAÇÃO E USO ou ONDE E COMO DEVO GUARDAR ESTE MEDICAMENTO?
Manter o medicamento em temperatura ambiente (15°C a 30°C). Proteger da luz e da umidade. Todo medicamento deve ser mantido fora do alcance das crianças.
DIZERES LEGAIS MS - 1.0367.0105 Farmacêutica responsável: Laura M. S. Ramos – CRF/SP-6870 Nº do lote, data de fabricação e prazo de validade: vide cartucho.
Esta bula é atualizada continuamente. Por favor, proceda à sua leitura antes de utilizar o medicamento. Para sua segurança, mantenha esta embalagem até o uso total do medicamento.
Fabricado e embalado por: Astellas Pharma Europe B. V. Secotex Paciente 4JC Meppel - Holanda /Indústria Holandesa Importado por: Boehringer Ingelheim do Brasil Química e Farmacêutica Ltda. Rodovia Regis Bittencourt (BR 116), km 286 Itapecerica da Serra – SP CNPJ/MF nº 60.831.658/0021-10 SAC 0800-701 6633 Venda sob prescrição médica SPC 20060706 C 06-02
ATIVIDADE
A partir da poesia “o escravocrata”de Arthur Azevedo, relacionar com o tema “as relações de trabalho: do trabalho escravo ao trabalho livre e a pesquisa mercado das tulhas
Construir: caixa de remédio, nome do Remédio, Bula de remédio (conteúdo; trabalho escravo no Brasil / Maranhão, trabalho imigrantes (Brasil/ Maranhão), importância do mercado das tulhas na economia maranhense (século XIX).Garota e/ou garota propaganda: vender produto (tema), compradores, ambulantes e poeta vestido para declamar uma poesia em homenagem ao centenário de Arthur Azevedo (22.10)
A partir da poesia “o escravocrata”de Arthur Azevedo, relacionar com o tema “as relações de trabalho: do trabalho escravo ao trabalho livre e a pesquisa mercado das tulhas
Construir: caixa de remédio, nome do Remédio, Bula de remédio (conteúdo; trabalho escravo no Brasil / Maranhão, trabalho imigrantes (Brasil/ Maranhão), importância do mercado das tulhas na economia maranhense (século XIX).Garota e/ou garota propaganda: vender produto (tema), compradores, ambulantes e poeta vestido para declamar uma poesia em homenagem ao centenário de Arthur Azevedo (22.10)
Data da apresentação: 22/10/2008
O mundo é grande.
O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.
(Carlos Drummond de Andrade in “Amar se Aprende Amando”).
Meus queriodos alunos do 1 ano Sesi/Senai(Matutino/Vespertino)
Meu coração é grande
E grande é amor que sinto por vocês..
Brigo, reclamo,esperneio,faço guerra,levo a paz.
Mas, o que gosto mesmo é de uma boa farra.
Adoro uma bagunça organizada.
E em nossos planos malucos, mirabolantes nos divertimos e aprendemos.
A criança adormecida em cada um de nós levanta e, prepara uma bomba de alegria, de criatividade,de amor e juntos explodimos e colorimos a História e o mundo esducacional que fazemos parte.
Dessa forma, maluca de encarar o cotidiano escolar tendo à ajuda maravilhosa de cada um.
Vocês que somam, multiplicam e dividem comigo esses momentos mágicos, saudo com as palavras de Drumond e digo-lhes mesmo que com 1 dia de atraso (estava sem net) cultivem a criança que existe em seu intímo, para que a vontade de descobrir o mundo permaneça.
Amados (as), crianças-grandes...
Amados(as) jovens-adolescentes...
Permaneçam alerta para descobrir, inventar e reinventar, colorir , desarumar e arumar o mundo e bagunçar organizadamente a História..
Adoro vocês minhas crianças-grandes!!!
Feliz dia das eternas crianças!!!
Beijus....
I....
AGRADECIMENTO
Olá galerosa maneira do 1 ano Sesi/Senai (matutino/vespertino)!!!!
Parabéns por mas uma aventura que conseguimos concluir - primeiramente o passeio pelo Centro Histórico de São Luís, como um das tarefas do Projeto Revivendo o Centro Histórico pela lente do Sesi/Senai.
Em seguida, o I Café Cultural que foi MARAVILHOOOOOOOOOOOOOOSO.
Tivemos falhas, quem não tem?
Tivemos erros, todos cometem...
No entanto, os acertos foram maiores..
Timidez, gozação, palhaçada, alegria foram o tempero.
Tivemos falhas, quem não tem?
Tivemos erros, todos cometem...
No entanto, os acertos foram maiores..
Timidez, gozação, palhaçada, alegria foram o tempero.
Comida... comida.... comida....
Bebida... bebida.... bebida....
Música, poesia, paródia, charme, inovação realçaram nossa manhã e/ou tarde
E o lanche teve sabor de vitória.
Valeu!!!!!
Até a próxima...
I....
Música, poesia, paródia, charme, inovação realçaram nossa manhã e/ou tarde
E o lanche teve sabor de vitória.
Valeu!!!!!
Até a próxima...
I....
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Unidade Integrada Anna Adelaide Bello
I Café Cultural do sesi/senai
Desguste as informações sobre como o café chegou nobrasile e na sua mesa...
I Café Cultural do sesi/senai
Desguste as informações sobre como o café chegou nobrasile e na sua mesa...
Em 1727 os portugueses compreenderam que a terra do Brasil tinha todas as possibilidades que convinham à cafeicultura. Mas infelizmente eles não possuíam nem plantas nem grãos. O governo do Pará, encontrou um pretexto para enviar Palheta, um jovem oficial a Guiana Francesa, com uma missão simples: pedir ao governador M. d’Orvilliers algumas mudas. M. d’Orvilliers seguindo ordens expressas do rei de França, não atende o pedido de Palheta. Quanto à Mme. d’Orvilliers, esposa do governador da Guiana Francesa, não resiste por muito tempo aos atrativos do jovem tenente. Quando Palheta já regressava ao Brasil, Mme. d’Orvilliers envia-lhe um ramo de flores onde, dissimuladas pela folhagem, se encontravam escondidas as sementes a partir das quais haveria de crescer o poderoso império brasileiro do café – um episódio bem apropriado para a história deste grão tão sedutor.
Do Pará, a cultura passou para o Maranhão e, por volta de 1760, foi trazida para o Rio de Janeiro por João Alberto Castelo Branco, onde se espalhou pela Baixada Fluminense e posteriormente pelo Vale do Paraíba.
O surto e incremento da produção do café foram favorecidos por uma série de fatores existentes á época da Independência. As culturas do açúcar e do algodão estavam em crise, batidas no mercado internacional pela produção das Antilhas e dos EUA; por isso, os fazendeiros precisavam encontrar outro produto de fácil colocação no mercado internacional. Além disso, a decadência da mineração libertou mão-de-obra e recursos financeiros na região Centro-Sul (Minas Gerais e Rio de Janeiro, principalmente) que podiam ser aplicados em atividades mais lucrativas. Em nível internacional, a produção brasileira foi favorecida pelo colapso dos cafezais de Java (devido a uma praga) e do Haiti (devido aos levantes de escravos e á revolução que tornou o pais independente). Outros fatores decisivos foram a estabilização do comércio internacional depois das guerras napoleónicas (Tratado de Versalhes, 1815) e a expansão da demanda europeia e americana por uma bebida barata.
A importância econômica do café refletiu-se na sua expansão geográfica. No início, difundiu-se pelo Vale do Paraíba (Rio de Janeiro e São Paulo), Sul de Minas e Espírito Santo. Depois, atingiu Campinas, no "Oeste Velho" de São Paulo; dali, expandiu-se para o chamado "Oeste Novo" (Ribeirão Preto e Araraquara) e passou, mais tarde, para as regiões de terra roxa do Norte do Paraná e Mato Grosso. Hoje, as áreas de cultivo localizam-se nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo e Bahia. Após a grande geada de 1975, houve um deslocamento das principais zonas produtoras do Norte do Paraná para áreas de clima mais favorável, como o sul de Minas Gerais e o interior capixaba.
A exportação brasileira do café começou a crescer a partir de 1816. Na década de 1830-1840, o produto assumiu a liderança das exportações do pais, com mais de 40% do total; o Brasil tornou-se, em 1840, o maior produtor mundial de café. Na década 1870-1880, o café passou a representar até 56% do valor das exportações. Começou então o período áureo do chamado ciclo do café que durou até 1930; no final do séc. XIX, o café representava 65% do valor das exportações do pais, chegando a 70% na década de 1920.
Fazenda brasileira de café - século XIX
Contudo, o crack da Bolsa de Nova York (1929) forçou a queda brusca no preço internacional do café (que caiu,em 1930, para pouco mais que a metade de seu valor em 1928), que continuou em queda até menos de 40% em 1931, ficando nesses níveis baixos durante muitos anos: só em 1947 é que os preços voltaram aos níveis de 1928. Essa situação agravou a crise de superprodução do café, cujos primeiros sinais apareceram no início do séc. XX.
Para enfrentar essa crise, os governadores dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro reuniram-se (fevereiro de 1906) no chamado Convênio de Taubaté, que definiu uma política para a valorização do produto: os governos estaduais comprometeram-se a comprar toda a produção e usar os estoques como instrumentos para impedir quedas e oscilações no preço do produto, além de proibir novos plantios.O Convênio de Taubaté representou a primeira intervenção oficial em defesa do café. Nos anos seguintes, o governo federal também tomou iniciativas nesse sentido. Mais tarde, após a crise de superprodução mundial de 1957, os países produtores e os grandes consumidores criaram o Acordo Internacional do Café (1962), que estabeleceu quotas de exportação para os países-membros.
O chamado "ciclo do café" teve repercussões econômicas e sociais importantes no Brasil. A expansão da lavoura levou à ampliação das vias férreas, principalmente em São Paulo; os portos do Rio de Janeiro e de Santos foram modernizados para sua exportação; a necessidade de mão-de-obra trouxe imigrantes europeus, principalmente depois da Abolição dos escravos; o café foi o primeiro produto de exportação controlado principalmente por brasileiros, possibilitando o acúmulo de capitais no pais. Em consequência, criou-se um mercado interno importante, principalmente no Centro-Sul, que foi o suporte para um desenvolvimento sem precedentes das atividades industriais, comerciais e financeiras. O café, sobretudo, consolidou a hegemonia política e econômica do Centro-Sul, transformando-o na região brasileira onde o desenvolvimento capitalista foi pioneiro e mais acentuado.
Desde os anos 50, a importância do café para a economia brasileira tem decrescido sensivelmente. Uma das conseqüências da crise mundial de 1957 foi o início da produção de café solúvel.
A participação do café nas exportações do pais diminuiu; em meados dos anos 70, o valor da exportação de manufaturados ultrapassou o do café, que, desde o início dos anos 80, responde por cerca de 10% do valor total das exportações brasileiras. Apesar disso, o café é ainda um dos principais produtos isolados exportados pelo país. São Paulo, que foi o maior produtor nacional desde o último terço do século passado, perdeu a primazia para o Paraná no final dos anos 50, mas sua produção ainda era significativa: em 1966-1967, por exemplo, metade de todos os cafeeiros do pais estava plantada nesses dois Estados. Vinte anos depois, em 1986-1987, era Minas Gerais que tinha o maior número de cafeeiros (mais de um terço do total nacional), seguindo-se São Paulo, Espírito Santo, Paraná e Bahia (que tinham juntos 92% dos 3,5 bilhões de pés de café então existentes no país.)
Em 1996 o consumo mundial supera a barreira dos 100 milhões de sacas. Em 1997 o Brasil atinge quase 3 bilhões de dólares na exportação de café, tendo a Alemanha superado os Estados Unidos como maior importador.Em 1998 o comitê do Conselho da Bolsa de New York coloca na pauta o café despolpado brasileiro.
Fontes: Grande Enciclopédia Larousse CulturalCAFÉ-La Dolce Vita - Asa Editores Ltda. Aroma de Café- Luiz Norberto PascoalLe Café - Anne Vantal
Do Pará, a cultura passou para o Maranhão e, por volta de 1760, foi trazida para o Rio de Janeiro por João Alberto Castelo Branco, onde se espalhou pela Baixada Fluminense e posteriormente pelo Vale do Paraíba.
O surto e incremento da produção do café foram favorecidos por uma série de fatores existentes á época da Independência. As culturas do açúcar e do algodão estavam em crise, batidas no mercado internacional pela produção das Antilhas e dos EUA; por isso, os fazendeiros precisavam encontrar outro produto de fácil colocação no mercado internacional. Além disso, a decadência da mineração libertou mão-de-obra e recursos financeiros na região Centro-Sul (Minas Gerais e Rio de Janeiro, principalmente) que podiam ser aplicados em atividades mais lucrativas. Em nível internacional, a produção brasileira foi favorecida pelo colapso dos cafezais de Java (devido a uma praga) e do Haiti (devido aos levantes de escravos e á revolução que tornou o pais independente). Outros fatores decisivos foram a estabilização do comércio internacional depois das guerras napoleónicas (Tratado de Versalhes, 1815) e a expansão da demanda europeia e americana por uma bebida barata.
A importância econômica do café refletiu-se na sua expansão geográfica. No início, difundiu-se pelo Vale do Paraíba (Rio de Janeiro e São Paulo), Sul de Minas e Espírito Santo. Depois, atingiu Campinas, no "Oeste Velho" de São Paulo; dali, expandiu-se para o chamado "Oeste Novo" (Ribeirão Preto e Araraquara) e passou, mais tarde, para as regiões de terra roxa do Norte do Paraná e Mato Grosso. Hoje, as áreas de cultivo localizam-se nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo e Bahia. Após a grande geada de 1975, houve um deslocamento das principais zonas produtoras do Norte do Paraná para áreas de clima mais favorável, como o sul de Minas Gerais e o interior capixaba.
A exportação brasileira do café começou a crescer a partir de 1816. Na década de 1830-1840, o produto assumiu a liderança das exportações do pais, com mais de 40% do total; o Brasil tornou-se, em 1840, o maior produtor mundial de café. Na década 1870-1880, o café passou a representar até 56% do valor das exportações. Começou então o período áureo do chamado ciclo do café que durou até 1930; no final do séc. XIX, o café representava 65% do valor das exportações do pais, chegando a 70% na década de 1920.
Fazenda brasileira de café - século XIX
Contudo, o crack da Bolsa de Nova York (1929) forçou a queda brusca no preço internacional do café (que caiu,em 1930, para pouco mais que a metade de seu valor em 1928), que continuou em queda até menos de 40% em 1931, ficando nesses níveis baixos durante muitos anos: só em 1947 é que os preços voltaram aos níveis de 1928. Essa situação agravou a crise de superprodução do café, cujos primeiros sinais apareceram no início do séc. XX.
Para enfrentar essa crise, os governadores dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro reuniram-se (fevereiro de 1906) no chamado Convênio de Taubaté, que definiu uma política para a valorização do produto: os governos estaduais comprometeram-se a comprar toda a produção e usar os estoques como instrumentos para impedir quedas e oscilações no preço do produto, além de proibir novos plantios.O Convênio de Taubaté representou a primeira intervenção oficial em defesa do café. Nos anos seguintes, o governo federal também tomou iniciativas nesse sentido. Mais tarde, após a crise de superprodução mundial de 1957, os países produtores e os grandes consumidores criaram o Acordo Internacional do Café (1962), que estabeleceu quotas de exportação para os países-membros.
O chamado "ciclo do café" teve repercussões econômicas e sociais importantes no Brasil. A expansão da lavoura levou à ampliação das vias férreas, principalmente em São Paulo; os portos do Rio de Janeiro e de Santos foram modernizados para sua exportação; a necessidade de mão-de-obra trouxe imigrantes europeus, principalmente depois da Abolição dos escravos; o café foi o primeiro produto de exportação controlado principalmente por brasileiros, possibilitando o acúmulo de capitais no pais. Em consequência, criou-se um mercado interno importante, principalmente no Centro-Sul, que foi o suporte para um desenvolvimento sem precedentes das atividades industriais, comerciais e financeiras. O café, sobretudo, consolidou a hegemonia política e econômica do Centro-Sul, transformando-o na região brasileira onde o desenvolvimento capitalista foi pioneiro e mais acentuado.
Desde os anos 50, a importância do café para a economia brasileira tem decrescido sensivelmente. Uma das conseqüências da crise mundial de 1957 foi o início da produção de café solúvel.
A participação do café nas exportações do pais diminuiu; em meados dos anos 70, o valor da exportação de manufaturados ultrapassou o do café, que, desde o início dos anos 80, responde por cerca de 10% do valor total das exportações brasileiras. Apesar disso, o café é ainda um dos principais produtos isolados exportados pelo país. São Paulo, que foi o maior produtor nacional desde o último terço do século passado, perdeu a primazia para o Paraná no final dos anos 50, mas sua produção ainda era significativa: em 1966-1967, por exemplo, metade de todos os cafeeiros do pais estava plantada nesses dois Estados. Vinte anos depois, em 1986-1987, era Minas Gerais que tinha o maior número de cafeeiros (mais de um terço do total nacional), seguindo-se São Paulo, Espírito Santo, Paraná e Bahia (que tinham juntos 92% dos 3,5 bilhões de pés de café então existentes no país.)
Em 1996 o consumo mundial supera a barreira dos 100 milhões de sacas. Em 1997 o Brasil atinge quase 3 bilhões de dólares na exportação de café, tendo a Alemanha superado os Estados Unidos como maior importador.Em 1998 o comitê do Conselho da Bolsa de New York coloca na pauta o café despolpado brasileiro.
Fontes: Grande Enciclopédia Larousse CulturalCAFÉ-La Dolce Vita - Asa Editores Ltda. Aroma de Café- Luiz Norberto PascoalLe Café - Anne Vantal
UNIDADE INTEGRADA ANNA ADELAIDE BELL
Nesta terça feira (07.10.2008)acontecerá o I Café Cultural do Sesi/Senai, assim postamos dados sobre a origem do café.
Primeiramente, boa leitura...
Corre uma lenda sobre as origens do café contando que, num dado momento do século III d. C., um pastor de cabras, chamado Kaldi, certa noite ficou ansioso quando suas cabras não retornaram ao rebanho. Quando saiu para procurá-las, encontrou-as saltitando próximo a um arbusto cujos frutos estavam mastigando e que obviamente foi o que lhes deu a estranha energia que Kaldi nunca vira antes. Dizem que ele mesmo experimentou os frutos e descobriu que eles o enchiam de energia, como aconteceu com o seu rebanho. Kaldi evidentemente i levou essa maravilhosa "dádiva divina" ao mosteiro local, mas as reações não foram favoráveis e ele ateou fogo nos frutos, dizendo serem "obra do demônio". O aroma exalado pelos frutos torrados nas chamas atraiu todos os monges para descobrir o que estava causando aquele maravilhoso perfume e os grãos de café foram rastelados das cinzas e recolhidos. O abade mudou de idéia, sugeriu que os grãos fossem esmagados na água para ver que tipo de infusão eles davam, e os monges logo descobriram que o preparado os mantinha acordados durante as rezas e períodos de meditação. Notícias dos maravilhosos poderes da bebida espalharam-se de um monastério a outro e, assim, aos poucos espalharam-se por todo mundo.
As evidências botânicas sugerem que a planta do café origina-se na Etiópia Central (onde ainda crescem vários milhares de pés acima do nível do mar). Ninguém parece saber exatamente quando o primeiro café foi tomado lá (ou em qualquer parte), mas os registros dizem que foi tomado em sua terra nativa em meados do século XV Também sabemos que foi cultivado no Iêmen (antes conhecido como Arábia), com a aprovação do governo, aproximadamente na mesma época, e pensa-se que talvez os persas levaram-no para a Etiópia no século VI d.C., período em que invadiram a região.
À medida que o café tornou-se cada vez mais popular, salas especiais nas casas dos mais abastados foram reservadas para se tomar café, e casas de café começaram a aparecer nas cidades. A primeira abriu em Meca, no final do século XV e início do XVI e, embora originalmente fossem lugares de reuniões religiosas, esses amplos saguões onde os clientes se sentavam em esteiras de palha ou colchões sobre o chão, rapidamente tornaram-se centros de música, dança, jogos de xadrez, gamão, conversas em locais em que se faziam negócios. A primeira abriu em Meca, no final do século XV e início do XVI e, embora originalmente fossem lugares de reuniões religiosas, esses amplos saguões onde os clientes se sentavam em esteiras de palha ou colchões sobre o chão, rapidamente tornaram-se centros de música, dança, jogos de xadrez, gamão, conversas em locais em que se faziam negócios.
Sua popularidade espalhou-se por Cairo, Constantinopla e para todas as partes do Oriente Médio, mas os muçulmanos devotos desaprovavam todas as bebidas tóxicas, incluindo o café, e consideravam as casas de café como uma ameaça à observância religiosa. Às vezes, esses centros populares de diversão eram atacados e destruídos por fanáticos religiosos, e alguns governantes apoiavam a proibição do café e impunham punições aterrorizadoras: aqueles que desobedecessem poderiam ser açoitados, presos dentro de um saco de couro e atirados no Bósforo.
Enquanto isso, comerciantes europeus da Holanda, Alemanha e Itália certamente estavam exportando grãos e, também, tentando introduzir a lavoura em suas colônias. Os holandeses foram os primeiros a iniciar o cultivo comercial no Sri Lanka, em 1658, e então em Java, em 1699, e por volta de 1706 eles estavam exportando o primeiro café de Java e estendendo a produção para outras partes da Indonésia. Em 1714, os holandeses bem-sucedidos presentearam Luís XIV da França com um pé de café que cresceu numa estufa em Versailles e quando deu frutos, as sementes foram espalhadas e as mudas foram levadas para o cultivo na ilha de Réunion, na época chamada de Ilha de Bourbon. A variedade de arbustos de café que se desenvolveu daquela árvore em Paris tornou-se conhecida como o café Bourbon e foi a fonte original de grãos hoje conhecidos no Brasil como Santos e no México como Oaxaca.
Nesta terça feira (07.10.2008)acontecerá o I Café Cultural do Sesi/Senai, assim postamos dados sobre a origem do café.
Primeiramente, boa leitura...
Corre uma lenda sobre as origens do café contando que, num dado momento do século III d. C., um pastor de cabras, chamado Kaldi, certa noite ficou ansioso quando suas cabras não retornaram ao rebanho. Quando saiu para procurá-las, encontrou-as saltitando próximo a um arbusto cujos frutos estavam mastigando e que obviamente foi o que lhes deu a estranha energia que Kaldi nunca vira antes. Dizem que ele mesmo experimentou os frutos e descobriu que eles o enchiam de energia, como aconteceu com o seu rebanho. Kaldi evidentemente i levou essa maravilhosa "dádiva divina" ao mosteiro local, mas as reações não foram favoráveis e ele ateou fogo nos frutos, dizendo serem "obra do demônio". O aroma exalado pelos frutos torrados nas chamas atraiu todos os monges para descobrir o que estava causando aquele maravilhoso perfume e os grãos de café foram rastelados das cinzas e recolhidos. O abade mudou de idéia, sugeriu que os grãos fossem esmagados na água para ver que tipo de infusão eles davam, e os monges logo descobriram que o preparado os mantinha acordados durante as rezas e períodos de meditação. Notícias dos maravilhosos poderes da bebida espalharam-se de um monastério a outro e, assim, aos poucos espalharam-se por todo mundo.
As evidências botânicas sugerem que a planta do café origina-se na Etiópia Central (onde ainda crescem vários milhares de pés acima do nível do mar). Ninguém parece saber exatamente quando o primeiro café foi tomado lá (ou em qualquer parte), mas os registros dizem que foi tomado em sua terra nativa em meados do século XV Também sabemos que foi cultivado no Iêmen (antes conhecido como Arábia), com a aprovação do governo, aproximadamente na mesma época, e pensa-se que talvez os persas levaram-no para a Etiópia no século VI d.C., período em que invadiram a região.
À medida que o café tornou-se cada vez mais popular, salas especiais nas casas dos mais abastados foram reservadas para se tomar café, e casas de café começaram a aparecer nas cidades. A primeira abriu em Meca, no final do século XV e início do XVI e, embora originalmente fossem lugares de reuniões religiosas, esses amplos saguões onde os clientes se sentavam em esteiras de palha ou colchões sobre o chão, rapidamente tornaram-se centros de música, dança, jogos de xadrez, gamão, conversas em locais em que se faziam negócios. A primeira abriu em Meca, no final do século XV e início do XVI e, embora originalmente fossem lugares de reuniões religiosas, esses amplos saguões onde os clientes se sentavam em esteiras de palha ou colchões sobre o chão, rapidamente tornaram-se centros de música, dança, jogos de xadrez, gamão, conversas em locais em que se faziam negócios.
Sua popularidade espalhou-se por Cairo, Constantinopla e para todas as partes do Oriente Médio, mas os muçulmanos devotos desaprovavam todas as bebidas tóxicas, incluindo o café, e consideravam as casas de café como uma ameaça à observância religiosa. Às vezes, esses centros populares de diversão eram atacados e destruídos por fanáticos religiosos, e alguns governantes apoiavam a proibição do café e impunham punições aterrorizadoras: aqueles que desobedecessem poderiam ser açoitados, presos dentro de um saco de couro e atirados no Bósforo.
Enquanto isso, comerciantes europeus da Holanda, Alemanha e Itália certamente estavam exportando grãos e, também, tentando introduzir a lavoura em suas colônias. Os holandeses foram os primeiros a iniciar o cultivo comercial no Sri Lanka, em 1658, e então em Java, em 1699, e por volta de 1706 eles estavam exportando o primeiro café de Java e estendendo a produção para outras partes da Indonésia. Em 1714, os holandeses bem-sucedidos presentearam Luís XIV da França com um pé de café que cresceu numa estufa em Versailles e quando deu frutos, as sementes foram espalhadas e as mudas foram levadas para o cultivo na ilha de Réunion, na época chamada de Ilha de Bourbon. A variedade de arbustos de café que se desenvolveu daquela árvore em Paris tornou-se conhecida como o café Bourbon e foi a fonte original de grãos hoje conhecidos no Brasil como Santos e no México como Oaxaca.
UNIDADE INTEGRADA ANNA ADELAIDE BELLO
1ª ETAPA: PESQUISAR SOBRE O CENTRO HISTÓRICO DE SÃO LUÍS;
2ª ETAPA: VISITAÇÃO AO CENTRO CENTRO HISTÓRICO DE SÃO LUÍS;
3ª ETAPA: PREPARAÇÃO DA EXPOSIÇÃO: CARTÃO POSTAL X REPRODUÇÃO (CRIATIVIDADE DO GRUPO;
4ªETAPA: ENSAIOS DAS ATIVIDADE CULTURAL;
5ª ETAPA: PREPARAÇÃO DO CAFÉ CULTURAL.
I SÉRIE MATUTINO/VESPERTINO
O PROJETO REVIVENDO O CENTRO HISTÓRICO DE SÃO LUÍS PELA LENTE DO SESI/SENAI 1ª ETAPA: PESQUISAR SOBRE O CENTRO HISTÓRICO DE SÃO LUÍS;
2ª ETAPA: VISITAÇÃO AO CENTRO CENTRO HISTÓRICO DE SÃO LUÍS;
3ª ETAPA: PREPARAÇÃO DA EXPOSIÇÃO: CARTÃO POSTAL X REPRODUÇÃO (CRIATIVIDADE DO GRUPO;
4ªETAPA: ENSAIOS DAS ATIVIDADE CULTURAL;
5ª ETAPA: PREPARAÇÃO DO CAFÉ CULTURAL.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Roteiro histórico-turístico por São Luís do Maranhão PARTE I
César Augusto. Maeques/Dicionário histórico-geográfico da Província do Maranhão.
LARGO DO PALÁCIO
Foi justamente aqui - na Av. Pedro II - que Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiere; Françoise de Rasilly, Senhor de Rasally e Aunelles, loco-tenentes-eraisde Luís XIII, de França e Navarra, fundaram a França Equinocial, em 8 de setembro de 1612. O lugar aproximado em que se terá realizado cerimônia está hoje assinalado por uma pirâmide de mármore. Ficando de costas para a Baía de São Marcos, veremos ao fundo a Catedral
Metropolitana e o Paço Arquiepiscopal. À esquerda, o Palácio dos Leões, o Palácio “La avardiere” e uma seqüência de velhos sobradões que lutam para sobreviver fiéis à linha arquitetônica colonial. O da esquina do Beco do Silva - Neto Guterres - foi onde nasceu Graça Aranha, o autor de Canãa, corifeu do movimento modernista na literatura brasileira. À direita, já nada mais se vê do que evoque o passado. Desaparecido sob os alicerces do prédio do INSS - Edifício João Goulart -, do Fórum, do caixão da agência do Banco da Amazônia e da inexpressiva sede da Capitania dos Portos, estes erguidos em chãos da Igreja da Misericórdia - (mandada arrasar em 1755, foi do adro dessa Igreja que Bequimão pregou ao povo pela última vez, a revolta de 23 de fevereiro de 1684. Mandada arrasar em 1755, foi do adro dessa Igreja que Bequimão pregou ao povo pela última vez, a revolta de 23 de fevereiro de 1684) - e do Teatro velho, que defrontavam o Palácio.
O PALÁCIO DOS LEÕES - sede do poder executivo no estado federado e residência dos Governadores da Província no Império e dos Capitães-Generais, na Colônia - é assim chamado pelos leões de bronze que guardam suas entradas. Seus alicerces mais profundos estão no Forte de São Luís, erigido em 1612 Ravardiere e Rassilly; tomado pelos português de Alexandre de Moura e Jerônimo de Albuquerque a 03 de novembro de 1615, passaria a se chamar Forte de São Felipe, em homenagem a Felipe III de Espanha e II de Portugal, ou simplesmente e popularmente, o “Castelo”; em 1776, o Capitão-General Joaquim de Melo e Póvoas, aproveitando-se , com a expulsão dos jesuítas, da telha, madeirame e escadaria confiscadas à Casa da Ordem, em Alcântara, fez praticamente construir o palácio que hoje se nos apresenta, após sucessivos melhoramentos.
O PALÁCIO ‘LA RAVARDIÉRE”, assim chamado desde 1962, se ergue no mesmo chão onde, desde os primeiros tempos, funcionaram a Cadeia e a Casa da Câmara; data de 1621 o primeiro Senado da Câmara de São Luís, presidido por Simão Estácio da Silveira, o primeiro propagandista da terra na metrópole com sua conhecida “Relação das cousas sumárias do Maranhão - dirigida aos pobres deste Reino de Portugal”, publicada em Lisboa em 1624. A primeira construção do prédio da Prefeitura, como é ainda hoje, conta-se de 8 de março de 1689, data em que o Senado da Câmara oficiou ao Sargento-Mór Antônio de Barros Pereira, pedindo-lhe a colaboração com ceder, para a conclusão das obras, o que sobrasse do edifício da Igreja e Casa da Câmara da vila do Icatú.
A CATEDRAL METROPOLITANA. A atual, começada a construir em 1726 pelos jesuítas, sob a iniciativa do Visitador-Geral da Missão, Padre Jacinto de Carvalho, com o trabalho dos indígenas e o óbolo dos fiéis, sendo-lhe o orago de Nossa Senhora da Boa-Morte, Foi a segunda erigida pelos inacianos no mesmo local; primitivamente existia uma simples capela levantada pelos primeiros milicianos de Inácio de Loyola, logo após sua chegada ao Maranhão em 1616. Só foi Sé-Catedral em 07 de janeiro de 1762, quando da expulsão dos jesuítas pela terceira vez, por ordem do Marques de Pombal. Foram a Igreja e o Colégio contíguos confiscados. Antes, a
Catedral era a Igreja de Nossa Senhora da Vitória - defronte, onde hoje está o prédio do antigo Hotel Central -; arruinada, foi mandada demolir e, 1763. Foi nessa primeira Catedral, hoje desaparecida, que foi criada a Diocese de São Luís do Maranhão, em 1667.
Roteiro histórico-turístico por São Luís do Maranhão
O PALÁCIO EPISCOPAL é o antigo Colégio de Nossa Senhora da Luz, dos jesuítas. De princípio, era casa térrea. Foi abandonado no governo diocesano de 1844/1850 porque se achava em ruínas; sua reedificação começou em 1869.
PRAÇA BENEDITO LEITE: Os nomes antigos foram: largo do João Velho do Val ou do Vale – abastado comerciante português que aí residia -, Praça da Assembléia e Jardim Público 13 de
Maio. Informa Rubem Almeida que “em tempos recuados havia nesse terrenocasebres que abrigavam mulheres de vida airada e que para desalojá-las sugeriu-se à Côrte a criação no local de um jardim botânico”. Artur Azevedo - em uma crônica publicada pelo O Domingo, em 26 de maio de 1873, sob o pseudônimo de Eloy, o Herói - informa que "o nosso jardim de plantas está quase despalperado com a derrubada que nelefizeram que foi por demais cruel e exagerada. Graças, porém, ao comandanteAzevedo, o Largo do João do Vale não é mais um matagal como era dantes, e, BENEDITO PEREIRA LEITE foi o quarto (1906/1910) governador republicano do Maranhão, estadista de larga visão e conceituado prestígio no cenário nacional e que dominou a política regional na primeira década do século. graças ao presidente da província, a música dos grilos e cigarras já ali não fazpraça como fazia, porque a banda do 5o. tem levado de vencida toda aquela malta bravia por meios de notas afinadas e por afinar”. No lado oeste da praça, no primeiro quarteirão da Rua do Giz, existiu outrora um velho sobradinho que a tradição popular apelidara de “Palácio dos Holandeses” e que serviu de motivo para muitos de nossos artistas do lápis e do pincel. Os outros três lados da praça conservam em geral suas edificações de linha arquitetônica colonial, típica de São Luís, motivo por que foi o logradouro objeto de tombamento pelo patrimônio histórico nacional. Do lado norte, a fachada lateral da Sé nova onde por muitos anos funcionou a Assembléia Provincial - daí o antigo nome de Praça da Assembléia - ; do lado leste, o velho sobrado hoje sede da Escola Técnica de Comércio do “Centro Caixeiral”. Aí, nos fundos da Sé, na casa do então Padre José Teles Vidigal o padre Malagrida fundou - em 02 de março de 1751 – o Recolhimento de Nossa Senhora da Anunciação e Remédios, nosso primeiro educandário feminino.
RUA DO GIZ: Hoje, 28 de Julho, data da “adesão” do Maranhão à Independência, de 1823... Vale demorar um breve instante. Do parapeito da praça que se debruça sobre a rua de Nazaré (Joaquim Távora), é possível apreciar o trajeto, desde a velha escadaria por que começa até o antigo e distante Largo das Mercês: é uma das mais saborosas perspectivas do estilo colonial que caracteriza a cidade. Lá embaixo, ao pé da escadaria, fazendo esquina com a antiga rua dos barbeiros (Humberto de Campos), funcionava a redação de “O Globo”, jornal de Paula Duarte, que os negros recentemente forros, e incentivados pelos conservadores, quiseram depredar porque, dizia-se, a República viria anular a Abolição há pouco decretada; o incidente, com a intervenção da força armada, transformou-se nos chamados fuzilamentos do dia 17. Na rua do Giz funciona o CENTRO DE CULTURA POPULAR “DOMINGOS VIEIRA FILHO’, em uma construção datada dos meados do século XIX. Sediou em fins do ‘século passado o famoso Instituto São José, fundado pelo notável professor Domingos Antônio Machado e dedicado à formação secundária e aos preparatórios para ingresso aos cursos superiores. Nessa mesma rua, entre as ruas 14 de Julho e João Vital de Matos, está localizado o SOLAR DA BARONESA DE ANAJATUBA, datado de 27 de maio de 1872. Por ser um dos mais altos existentes nesta zona da cidade - possui quatro andares – é denominado de “Cavalo de Tróia”. Ainda nesta rua está localizado o SOLAR SANTA TERESINHA. Foi residência da professora de música Lilah Lisboa.
PRAIA GRANDE:em seu “São Luís - cidade dos azulejos” prefere visitar este trecho - com suas ruas deliciosamente românticas e legitimamente lusitanas - descendo pela Rampa do Palácio e contornando o promontório, tomando a Rua do Trapiche (Portugal), até a Praia Grande, o centro do comércio atacadista, importador e exportador de ontem.A primeira, a Rua da Calçada - que corta a antiga Rua de Nazaré (Joaquim Távora) despenca-se em ladeira de largos degraus de lioz até a rua do Trapiche -popularmente chamada de BECO DE CATARINA MINA: Uma como que Chica da Silva maranhense, era a negra Catarina Pereira de Jesus escrava forra, que conseguiu considerável fortuna, tornando-se proprietária de imóveis e senhora de escravos, tomando ares de grande dama. Negra inteligente, de formas proporcionais e elegantes, sabia enfeitiçar com sua simpatia e insinuante meiguice os ricaços reinóis da Praia Grande, não pouco vulneráveis aos requebros e denguices de uma mulata; e assim fez-se rica e conseguiu fazer- se lembrada até hoje pelo nome que emprestou à rua...
A RUA DA ESTRELA, que passa pelo Praia Grande, na Praça do Comércio, estende-se, já agora em subida, até as Mercês. Aluízio Azevedo, em “O Mulato”, descreve como sendo aí o estabelecimento de seu Manuel Pescada. Entre o Beco do Deserto e a rua jacinto Maia está localizado o Solar dos Vasconcelos. A área fronteira do ângulo formado pelas ruas da Estrela e Portugal é o que a rigor se chama a Praia Grande, que tinha esse nome antes de ser de todo tomada ao mar e arruada. Durante os meses de invernia (chuvas) e nas épocas de maré alta,
tornava-se um lamaçal pútrido que dificultava o transporte das mercadorias até a Alfândega velha, hoje desaparecida, e que fora a sede da “Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão”. Esse problema desafiou a iniciativa e a boa-vontade dos administradores até 1805, quando se instituiu o chamado Terreiro Público, com suas barracas da praça onde se vendiam obrigatoriamente as frutas, legumes, criações, pescados, vindos do interior para o abastecimento da cidade em barcos a vela, que atracavam no ancoradouro. Em 1820, a Municipalidade deu-lhe regimento de funcionamento e chamou-a “Casa das Tulhas”.
É na Praia Grande que se localizam: CENTRO DE CRIATIVIDADE “ODILO COSTA, FILHO” localizando em antigos armazéns;
MUSEU DE ARTES VISUAIS, localizado em um sobrado de arquitetura típica do século XIX, foi construído exclusivamente para abrigar uma das muitas casas de secos e molhados, estivas e do comércio a grosso., sendo sede, por muitos anos, da firma Silva Maia & Cia Ltda.
SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA - SOBRADO LAGES & CIA, foi construído para funcionamento exclusivo da firma Azevedo e Almeida, fundada em 1815 por Joaquim Azevedo de Almeida, português e homem de muita inteligência e comprovado talento para o comércio. Continuemos subindo pela rua da Estrela (Cândido Mendes), rumo ao sul, em direção às Mercês e ao Desterro. À esquerda, passaremos pelas esquinas do Beco do Quabra-Costas e do Tanguitá (14 de Julho). O Beco do Quebra-Costa (hoje, João Vital)9, ou do Quabra-Bunda - também chamada de Beco da Pacotilha em virtude de o grande jornalista Vítor Lobato ter aí estabelecido seu jornal em abril de 1890 num sobradão de azulejos verdes - Largo do Carmo esquina com o Quabra-Costas, prédio construído em 1758. Nessa rua, entre a rua da Palma e 28 de Julho, há uma das capelas dos Passos. Nós a veremos na volta. JOÃO VITAL DE MATOS foi farmacêutico e mantinha nessa rua, num sobrado de ornatos caprichosos, esquina com a rua da Palma uma bem montada drogaria e um excelente laboratório de produtos farmacêuticos. Homem viajado, culto, inventou várias fórmulas que fizeram época e ainda até recentemente eram bem vendidas, como a famosa “Tintura Preciosa” e o “Elixir de
Carnaúba”.À direita: - o beco da Boa-Ventura antiga travessa Fluvial porque num sobrado da rua da Estrela, que lhe faz canto, funcionava a Companhia Empresa de Navegação a Vapor dos Rios do Maranhão, mais conhecida como Fluvial; era um ponto predileto dos negros de ganho que trabalhavam na chamada Paria Grande e adjacências; - o beco da Prensa, mandado abrir pelo comerciante João Gualberto da Costa para serventia de uma prensa de algodão, a primeira que tivemos; - cruzaremos ainda: a rua Direita, hoje Henrique Leal; chamou-se outrora Passo do Lapemberg, em homenagem ao causídico maranhense Antônio Martiniano
Lapemberg, defensor de um dos implicados no trágico crime de Pontes de Vergueiro; chamou-se também Marcílio Dias, em homenagem ao grumete herói da batalha do Riachuelo. ANTONIO HENRIQUES LEAL nasceu em Cantanhede em 24 de junho de 1828 e faleceu no Rio de janeiro a 29 de setembro de 1885. Formou-se em medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro. Médico competente e político influente, estudou com proficiência a história do Maranhão, deixando-nos “O Panteão Maranhense” série biográfica de escritores e poetas que lhe valeu o
cognome de “Plutarco Brasileiro”. - a do Deserto, até a rua da Cascata (Jacinto Maia - JACINTO JOSÉ MAIA, comerciante português, vivia de rendas imobiliárias e chefiou a sólida firma Maia,
Sobrinhos & Cia; homem rico, sabia olhar os desprotegidos da fortuna e dedicou grande parte de sua existência a uma filantropia que tinha a virtude de não ser ostensiva), no LARGO DAS MERCÊS. No caminho, na esquina de Tanguitá, está o solar que foi do Visconde de Itacolomi, cujos jardins de entrada dão para a rua paralela, a do Giz (28 de Julho). A seguir, em meio ao último quarteirão, o Solar dos Vasconcelos, onde funcionou a Imprensa Oficial; por fim, na esquina com a Cascata, já para as Mercês, a casa que foi de Teixeira Mendes, o apóstolo do Positivismo no Maranhão. No meio do quarteirão, entre as ruas da Estrela e do Giz, apresenta-se-nos um modesto sobradinho, baixo e quase sem fundos; diz a tradição que foi uma velha prisão ou mercado de escravos: uma cafua.
LARGO DAS MERCÊS
Hoje, Praça Luís Domingues10, onde existiu a Igreja de Nossa Senhora das Mercês e hoje há o restaurado convento da mesma invocação, sede do Centro da Memória Republicana, onde é guardada a memória do governo Sarney. O convento foi construído em 1654 e teve momentos de esplendor em sua vida. Decaindo, nele foi instalado oficialmente em 3 de fevereiro de 1863, depois de sofrer grandes reformas, o Seminário de N. S. das Mercês ou pequeno seminário.
Perdida a função de estabelecimento de ensino, o governo aí instalou o quartel da força pública e posteriormente o corpo de bombeiros. Mais adiante está o Largo do Desterro. Seguindo pela rua Direita, passa-se LUIS ANTÔNIO DOMINGUES DA SILVA nasceu em Turiaçu a 11 de julho de 1862 e faleceu em São Luís a 11 de julho de 1922. Formou-se em Direito pela Faculdade do Recife e governou o Maranhão de 1911 a 1914. Pertencia à Academia Maranhense de Letras, pela esquina da antiga rua da Palma (Herculano Parga), dobrando-se à direita chegase ao beco da Caela (Maranhão Sobrinho) à Praça do Desterro. Aqui desenrolou-se importantes episódios da invasão holandesa no Maranhão. Este vasto quadrilátero irregular, que percorremos desde o largo do Palácio e do João do Vale, até a Praça das Mercês e do Desterro, estendeu-se o bairro mais velho de São Luís, limitado pelo Largo do Carmo e a rua Formosa (Afonso Pena), antiga estrada Real. Voltemos ao Largo do Carmo.
LARGO DO CARMO: Entre as ruas Grande (Oswaldo Cruz) e da Paz (Cel. Colares Moreira), sobre o que resta da primitiva colina de Santa Bárbara, fica o Convento do Carmo Novo e sua igreja de azulejos brancos, “que reverberam ao sol poente”. Anteriormente havia uma capela, sob a invocação de Santa Bárbara; em 1627 os frades carmelitas construíram o convento de N. S. do Monte Carmelo. No Convento funcionou o Liceu Maranhense, sob a direção do emérito gramático Sotero dos Reis. Das janelas deste convento, quando Liceu, aí pelo ano de 1889, os estudantes deram “estrondosa vaia no Conde d’Eu, quando o príncipe de viagem pelo interior do país em campanha política no sentido de assegurar à consorte, D. Isabel, um terceiro reinado”. Na época da invasão holandesa, os maranhenses - que vinham vencendo os batavos desde o Itapecuru-Mirim, cercaram os homens de Pieter Bass no Castelo, entrincheirando-se na Colina do Carmo. Antônio Muniz Barreiro, herói maior da reconquista da cidade aos holandeses, é atingido no peito por uma bala inimiga e, mortalmente ferido, recolhe-se ao Convento, para falecer momentos após. Era o dia 16 de janeiro de 1643. Antônio Teixeira de Melo, seu sucessor, prossegue na resistência e um ano após (28 de fevereiro de 1644) acabaria por expulsar o invasor de uma vez por todas. Por esse feito, é dada aos moradores do Maranhão, em 1655, por D. João IV, o Restaurador, as honras e privilégios da Infanção. Os maranhenses não poderiam ser postos em prisão comum, nem sujeitos a ferros ou tormento; ficavam isentos do serviço militar e gozavam do direito de portar armas em qualquer hora e lugar, inclusive espadas com bainha de veludo, terços de ouro e punhos de fio dourado; de usar seda, metais e pedras preciosas.
Aqui funcionou uma das primeiras feiras ou mercados existentes em São Luís. Foi também o primeiro abrigo público que houve na cidade, mandado construir pelo almocatel Agostinho Inácio Rodrigues Tôrres “para abrigar da chuva e da canícula asvendeiras de hortaliças”.
Nesse largo havia ainda um pelourinho - descrito por César Marques como uma “bela coluna torcida de pedra mármore”. Não se sabe quando foi erigido, porém a 22 de setembro de 1815 o juiz pela lei Isidoro Rodrigues Pereira requeria ao governo auxílio militar para coadjuvar um homem de vara na prisão de alguns serventes necessários à ereção do pelourinho. Foi-lhe negado. Quando dos “prenúncios da Proclamação da República”, o pelourinho foi “vandálicamente destruído pelo povo a incitamentos da oratória fogosa do grande tribuno Paula Duarte”. Isso, em primeiro denovembro de 1889. Em 1901 foi o histórico largo denominado Praça João Lisboa. Situada na parte que fica entre as ruas do Sol e da Paz está, “sobre os restos mortais do escritor a que serve de túmulo”, a estátua de João Francisco Lisboa. Jornalista emérito, historiador autorizado, clássico da língua, “glória maior da Atenas do Brasil porque honra e glória de toda a nacionalidade, alí está, para edificação dos pósteros, na postura de que lê, para exemplo e ensinamento, o seu famoso ‘Jornal do Timon’”. Foi das janelas de sua residência no velho largo do Carmo que o ilustre jornalista viu desfilar muitas vezes a vida da cidade.
SOBRADO COLONIAL - CASA DA CIDADE - datado do início do século XIX, foi construído no lugar onde deveria se edificado o Teatro União. sua primitiva ocupação foi de servir de residência particular, já foi sede da Câmara Municipal de São Luís.
Na esquina com o Beco da Pacotilha (Rua João Vital de Matos), está o SOLAR DOS BELFORD. Sobradão colonial do século XVIII, provavelmente concluído em 1756, pertenceu a Lourenço Belford. Na segunda metade do século XIX residia nesse imóvel o Barão de Coroatá, Manoel Gomes da Silva Belford. Em 1899 passou a ser seu proprietário o jornalista Vítor Lobato, que aí instalou redação, gerência e oficinas de seu famoso jornal “Pacotilha”. Um pouco mais abaixo, já na Rua Formosa, o prédio onde funcionou os Diários Associados (O Imparcial). Prédio construído aproximadamente em 1846 pelo Comendador José Leite, pai do Senador Benedito Leite. Também serviu de Palácio da Justiça, Ginásio para moças, cabaré, até ser adquirido por Assis Chateaubriand, para sede do seu jornal. Era no velho largo que se realizava a célebre festa de Santa Filomena.
RUA DO EGITO: A rua Tarquínio Lopes11 leva do largo do Carmo à antiga Praia do Caju. MEIRELES (1964) reclama que está desfigurada, com as reformas que se lhe fizeram para alargar. Era estreita, e sem alcançar a praia, morria asfixiada no cotovelo da rua do Poço (hoje do Machado), rua humilde em que, na esquina com a do Ribeirão, nasceram os irmãos Azevedo, Artur e Aluízio, o teatrólogo e o romancista. Entre os moradores famosos da rua do Egito contava-se, ainda, os historiadores César sócio efetivo da Academia Maranhense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, e membro do Conselho de Cultura do Estado.” (MEIRLES, Mário M. João de Barros, primeiro donatário do Maranhão. São Luís : ALUMAR, 1996, p. 70, nota de pé-de-página).No prédio hoje ocupado pela Assembléia Legislativa funcionou a “Escola “11 de Agôsto”, assim denominada por ter sido fundada nesse dia, no ano de 1870 pelos bacharéis João Antônio Coqueiro, Antônio de Almeida e Oliveira, Martiniano Mendes Pereira, Manuel Jansen Pereira e outros, com o objetivo de estabelecer cursos noturnos para as classes operárias.
IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETINHOS - na rua do Egito ficava localizada a Igreja do Carmo (1614). Com o alargamento da rua em 1717, foi construída a Igreja do Rosário, sendo o terreno doado por Frei Tomaz Jordão, prior do Convento do Carmo, para a congregação dos pretinhos irmãos de Nossa Senhora do Rosário. O padre Antônio Vieira fez vários sermões nessa igreja. Em frente, o SOLAR CESÁRIO VERAS. Pertenceu ao Desembargador José Mariano Corrêa de Azevedo Coutinho e, mais tarde, ao Dr. Cesário dos Santos Veras. No dia 17 de novembro de 1824, a sociedade maranhense homenageou com um banquete o almirante inglês Lord Cochrane, que um ano antes viera ao Maranhão para ultimar a adesão da província (28 de julho de 1823) à independência. Na esquina da Rua de Nazaré está localizado o Edifício São Luís. É considerado o maior prédio de azulejo do País.
Travessa Dom Francisco. Antigamente, era estreitíssima, quando se chamava beco da Sé, ou mais remotamente, beco de João do Vale, para chegarmos ao Largo do Palácio. Antes, passamos pelo seu xipófago, o largo de João do Vale.
FONTE DO RIBEIRÃO: Do Largo do Carmo iremos saindo pela rua do Sol, até o Largo do Quartel. Antes, passemos pela Fonte do Ribeirão, na paralela rua dos Afogados. A Fonte do Ribeirão foi mandada construir em 1796 pelo Governador e Capitão-General D. Fernando Antônio de Noronha. Sobre as carrancas por que escorre a água da fonte para o chão lajeado de cantaria, três portas gradeadas de ferro dão acesso a outras tantas galerias, motivo de lendas que a imaginação popular tem criado.
RUA DO SOL: A rua do Sol é das mais antigas da cidade, pois já aparece em uma planta, datada de 1640, à época da invasão holandesa. Orígenes Lessa a celebrizou em seu romance, que tem esse título. Hoje, recebe o nome de Nina Rodrigues13, em homenagem ao sábio antropólogo brasileiro. No prédio 67, em um mirantezinho aí existente, Aluísio Azevedo escreveu “O Mulato” e Antônio Lobo, “A Carteira de um neurastênico”. E num magnífico sobrado de vinte e uma janelas, hoje demolido, funcionou o famoso Colégio de Nossa Senhora da Glória, destinado à educação de meninas e dirigido perla professora 13 RAIMUNDO NINA RODRIGUES nasceu em Vargem Grande, a 4 de dezembro de 1862 e faleceu em paris a 17 de julho de 1906. Foi pioneiro no estudo do negro brasileiro, lançando as bases de uma escola antropológica com métodos avançados de pesquisa e interpretação. Sua biografia científica atinge cerca de 60 títulos.
Amância Leonor de Castro Abranches, tia do escritor Dunshe de Abranches, que evoca esse imóvel no livro “O Cativeiro”. Foi nesse colégio que se recolheu D. Emília Amália Branco, mãe de Artur e Aluísio Azevedo. Nessa rua funcionou também o Colégio de São João, dirigido pelo Dr. Augusto César da Silva Rosa. E é ali que está o Teatro Artur Azevedo, fundado em 1817, com o nome de União e, depois, de São Luís. No prédio de no. 302, em um enorme sobrado de entrada pomposa, com portal de cantaria lavrada, viveu algum tempo Joaquim Gomes de Sousa, o famoso matemático maranhense. É onde hoje está instalado o Museu Histórico e Artístico do Maranhão.
LARGO DE SÃO JOÃO: Daqui, vamos até o Largo de São João, onde está situada a matriz que lhe empresta o nome, já na esquina da rua da Paz, paralela à do Sol, hoje chamada praça Henrique Leal. Nesse templo a piedade cristã recolheu os restos mortais do delator da Inconfidência Mineira, Joaquim Silvério dos Reis, que veio curtir no Maranhão o remorso de seus últimos dias. Defronte à igreja, o “Palácio das Lágrimas”, onde hoje está a Faculdade de Odontologia e antigamente foi sede da Escola Modelo Benedito Leite. Conta-se que, no andar superior, seu proprietário mantinha sob severa vigilância, um verdadeiro harém d e jovens escravas e por uma delas apaixonou-se um outro escravo da casa, que, não correspondido, pois a bela escrava preferiu permanecer como a favorita do senhor, o moço escravo, louco de ciúmes, vingou-se colocando veneno na comida de dois filhos da casa, deixando o resto na mala de sua eleita. Descoberto o crime, as provas indicavam a bela escrava, que foi levada ao patíbulo, não obstante protestasse inocência; ao descer as escadarias que dava para a rua, rumo ao cadafalso, tantas foram as lágrimas de revolta de sua inocência que, como a quererem eternizar seu clamor, jamais se apagaram de sobre as lajes dos degraus que todos os dias delas anheciam molhados. Perseguido pela dúvida do remorso, o senhor fez substituir as pedras lacrimejantes, mas a vingança do destino sobreviveu, em tudo o mais e a casa se fez mal assombrada. Seu último dono, ensandecido, enchia de pavor o silêncio da noite com seus cantos e seus gritos, enquanto, insone, corria os aposentos desertos daquele andar onde fora o harém. O patíbulo era, então, nessa mesma rua da Paz, na esquina da atual Artur Azevedo, popularmente chamada da Mangueira e antes da Forca Velha: Ao lado do Palácio das Lágrimas, na rua 13 de Maio, O MUSEU DE ARTE SACRA DO MARANHÃO:localizado em um solar construído na segunda metade do século XIX, tendo servido de residência do barão de Grajaú, o Dr. Carlos Fernando Ribeiro e da Baronesa, Sra. Ana Rosa Viana Ribeiro. Foi sede do Museu Pio XII. Ainda na rua 13 de Maio, o Sobrado Pontes Vergueiros, construção do século XIX, tendo nele residido o Desembargador Pontes Vergueiros que sentindo paixão desenfreada pela mulata Mariquinhas, tomou em delírio passional a resolução de assassiná-la. Depois de morta, Mariquinhas foi esquartejada e colocada em uma mala de zinco, tendo como soldador Amâncio José da Paixão, pai de Catulo da Paixão Cearense.
PRAÇA DEODORO: O antigo Largo do Quartel é hoje a Praça Deodoro; já foi do quartel do 24o., do 48o., do 5o. batalhão... lá foi construído primeiro quartel do Brasil, conforme autorização de 27 de junho de 1792. Demolido, em seu lugar, com a Biblioteca Pública “Benedito Leite” ao centro, está hoje a Praça do Panteon - do Panteon porque nela estão colocadas as ermas dos filhos ilustres da terra que ainda não tenham estátua em outros logradouros.
Parque Urbano Santos14: por trás do velho quartel ficava o Campo do Ourique, hoje igualmente desaparecido. A parte posterior do Campo d’Ourique dava para um fundo grotão onde corria a chamada Fonte do Mamoin. Em 1882 dizia-se ser de urgente a construção de um paredão de pedra e cal, pois estava desmoronando e colocando em riscos as casas ali edificadas, dentre as quais as do Visconde de Itacolomi do Norte. Ali, funcionou em 1881 um pequeno hipódromo onde foram realizadas interessantes corridas. Funcionou, ainda, uma pequena estação meteorológica. Em 1914 recebeu o nome de Parque Urbano Santos, hoje ocupado na maior parte ocupado pelo edifício de linha neocolonial em que funciona o Liceu Maranhense.
César Augusto. Maeques/Dicionário histórico-geográfico da Província do Maranhão.
LARGO DO PALÁCIO
Foi justamente aqui - na Av. Pedro II - que Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiere; Françoise de Rasilly, Senhor de Rasally e Aunelles, loco-tenentes-eraisde Luís XIII, de França e Navarra, fundaram a França Equinocial, em 8 de setembro de 1612. O lugar aproximado em que se terá realizado cerimônia está hoje assinalado por uma pirâmide de mármore. Ficando de costas para a Baía de São Marcos, veremos ao fundo a Catedral
Metropolitana e o Paço Arquiepiscopal. À esquerda, o Palácio dos Leões, o Palácio “La avardiere” e uma seqüência de velhos sobradões que lutam para sobreviver fiéis à linha arquitetônica colonial. O da esquina do Beco do Silva - Neto Guterres - foi onde nasceu Graça Aranha, o autor de Canãa, corifeu do movimento modernista na literatura brasileira. À direita, já nada mais se vê do que evoque o passado. Desaparecido sob os alicerces do prédio do INSS - Edifício João Goulart -, do Fórum, do caixão da agência do Banco da Amazônia e da inexpressiva sede da Capitania dos Portos, estes erguidos em chãos da Igreja da Misericórdia - (mandada arrasar em 1755, foi do adro dessa Igreja que Bequimão pregou ao povo pela última vez, a revolta de 23 de fevereiro de 1684. Mandada arrasar em 1755, foi do adro dessa Igreja que Bequimão pregou ao povo pela última vez, a revolta de 23 de fevereiro de 1684) - e do Teatro velho, que defrontavam o Palácio.
O PALÁCIO DOS LEÕES - sede do poder executivo no estado federado e residência dos Governadores da Província no Império e dos Capitães-Generais, na Colônia - é assim chamado pelos leões de bronze que guardam suas entradas. Seus alicerces mais profundos estão no Forte de São Luís, erigido em 1612 Ravardiere e Rassilly; tomado pelos português de Alexandre de Moura e Jerônimo de Albuquerque a 03 de novembro de 1615, passaria a se chamar Forte de São Felipe, em homenagem a Felipe III de Espanha e II de Portugal, ou simplesmente e popularmente, o “Castelo”; em 1776, o Capitão-General Joaquim de Melo e Póvoas, aproveitando-se , com a expulsão dos jesuítas, da telha, madeirame e escadaria confiscadas à Casa da Ordem, em Alcântara, fez praticamente construir o palácio que hoje se nos apresenta, após sucessivos melhoramentos.
O PALÁCIO ‘LA RAVARDIÉRE”, assim chamado desde 1962, se ergue no mesmo chão onde, desde os primeiros tempos, funcionaram a Cadeia e a Casa da Câmara; data de 1621 o primeiro Senado da Câmara de São Luís, presidido por Simão Estácio da Silveira, o primeiro propagandista da terra na metrópole com sua conhecida “Relação das cousas sumárias do Maranhão - dirigida aos pobres deste Reino de Portugal”, publicada em Lisboa em 1624. A primeira construção do prédio da Prefeitura, como é ainda hoje, conta-se de 8 de março de 1689, data em que o Senado da Câmara oficiou ao Sargento-Mór Antônio de Barros Pereira, pedindo-lhe a colaboração com ceder, para a conclusão das obras, o que sobrasse do edifício da Igreja e Casa da Câmara da vila do Icatú.
A CATEDRAL METROPOLITANA. A atual, começada a construir em 1726 pelos jesuítas, sob a iniciativa do Visitador-Geral da Missão, Padre Jacinto de Carvalho, com o trabalho dos indígenas e o óbolo dos fiéis, sendo-lhe o orago de Nossa Senhora da Boa-Morte, Foi a segunda erigida pelos inacianos no mesmo local; primitivamente existia uma simples capela levantada pelos primeiros milicianos de Inácio de Loyola, logo após sua chegada ao Maranhão em 1616. Só foi Sé-Catedral em 07 de janeiro de 1762, quando da expulsão dos jesuítas pela terceira vez, por ordem do Marques de Pombal. Foram a Igreja e o Colégio contíguos confiscados. Antes, a
Catedral era a Igreja de Nossa Senhora da Vitória - defronte, onde hoje está o prédio do antigo Hotel Central -; arruinada, foi mandada demolir e, 1763. Foi nessa primeira Catedral, hoje desaparecida, que foi criada a Diocese de São Luís do Maranhão, em 1667.
Roteiro histórico-turístico por São Luís do Maranhão
O PALÁCIO EPISCOPAL é o antigo Colégio de Nossa Senhora da Luz, dos jesuítas. De princípio, era casa térrea. Foi abandonado no governo diocesano de 1844/1850 porque se achava em ruínas; sua reedificação começou em 1869.
PRAÇA BENEDITO LEITE: Os nomes antigos foram: largo do João Velho do Val ou do Vale – abastado comerciante português que aí residia -, Praça da Assembléia e Jardim Público 13 de
Maio. Informa Rubem Almeida que “em tempos recuados havia nesse terrenocasebres que abrigavam mulheres de vida airada e que para desalojá-las sugeriu-se à Côrte a criação no local de um jardim botânico”. Artur Azevedo - em uma crônica publicada pelo O Domingo, em 26 de maio de 1873, sob o pseudônimo de Eloy, o Herói - informa que "o nosso jardim de plantas está quase despalperado com a derrubada que nelefizeram que foi por demais cruel e exagerada. Graças, porém, ao comandanteAzevedo, o Largo do João do Vale não é mais um matagal como era dantes, e, BENEDITO PEREIRA LEITE foi o quarto (1906/1910) governador republicano do Maranhão, estadista de larga visão e conceituado prestígio no cenário nacional e que dominou a política regional na primeira década do século. graças ao presidente da província, a música dos grilos e cigarras já ali não fazpraça como fazia, porque a banda do 5o. tem levado de vencida toda aquela malta bravia por meios de notas afinadas e por afinar”. No lado oeste da praça, no primeiro quarteirão da Rua do Giz, existiu outrora um velho sobradinho que a tradição popular apelidara de “Palácio dos Holandeses” e que serviu de motivo para muitos de nossos artistas do lápis e do pincel. Os outros três lados da praça conservam em geral suas edificações de linha arquitetônica colonial, típica de São Luís, motivo por que foi o logradouro objeto de tombamento pelo patrimônio histórico nacional. Do lado norte, a fachada lateral da Sé nova onde por muitos anos funcionou a Assembléia Provincial - daí o antigo nome de Praça da Assembléia - ; do lado leste, o velho sobrado hoje sede da Escola Técnica de Comércio do “Centro Caixeiral”. Aí, nos fundos da Sé, na casa do então Padre José Teles Vidigal o padre Malagrida fundou - em 02 de março de 1751 – o Recolhimento de Nossa Senhora da Anunciação e Remédios, nosso primeiro educandário feminino.
RUA DO GIZ: Hoje, 28 de Julho, data da “adesão” do Maranhão à Independência, de 1823... Vale demorar um breve instante. Do parapeito da praça que se debruça sobre a rua de Nazaré (Joaquim Távora), é possível apreciar o trajeto, desde a velha escadaria por que começa até o antigo e distante Largo das Mercês: é uma das mais saborosas perspectivas do estilo colonial que caracteriza a cidade. Lá embaixo, ao pé da escadaria, fazendo esquina com a antiga rua dos barbeiros (Humberto de Campos), funcionava a redação de “O Globo”, jornal de Paula Duarte, que os negros recentemente forros, e incentivados pelos conservadores, quiseram depredar porque, dizia-se, a República viria anular a Abolição há pouco decretada; o incidente, com a intervenção da força armada, transformou-se nos chamados fuzilamentos do dia 17. Na rua do Giz funciona o CENTRO DE CULTURA POPULAR “DOMINGOS VIEIRA FILHO’, em uma construção datada dos meados do século XIX. Sediou em fins do ‘século passado o famoso Instituto São José, fundado pelo notável professor Domingos Antônio Machado e dedicado à formação secundária e aos preparatórios para ingresso aos cursos superiores. Nessa mesma rua, entre as ruas 14 de Julho e João Vital de Matos, está localizado o SOLAR DA BARONESA DE ANAJATUBA, datado de 27 de maio de 1872. Por ser um dos mais altos existentes nesta zona da cidade - possui quatro andares – é denominado de “Cavalo de Tróia”. Ainda nesta rua está localizado o SOLAR SANTA TERESINHA. Foi residência da professora de música Lilah Lisboa.
PRAIA GRANDE:em seu “São Luís - cidade dos azulejos” prefere visitar este trecho - com suas ruas deliciosamente românticas e legitimamente lusitanas - descendo pela Rampa do Palácio e contornando o promontório, tomando a Rua do Trapiche (Portugal), até a Praia Grande, o centro do comércio atacadista, importador e exportador de ontem.A primeira, a Rua da Calçada - que corta a antiga Rua de Nazaré (Joaquim Távora) despenca-se em ladeira de largos degraus de lioz até a rua do Trapiche -popularmente chamada de BECO DE CATARINA MINA: Uma como que Chica da Silva maranhense, era a negra Catarina Pereira de Jesus escrava forra, que conseguiu considerável fortuna, tornando-se proprietária de imóveis e senhora de escravos, tomando ares de grande dama. Negra inteligente, de formas proporcionais e elegantes, sabia enfeitiçar com sua simpatia e insinuante meiguice os ricaços reinóis da Praia Grande, não pouco vulneráveis aos requebros e denguices de uma mulata; e assim fez-se rica e conseguiu fazer- se lembrada até hoje pelo nome que emprestou à rua...
A RUA DA ESTRELA, que passa pelo Praia Grande, na Praça do Comércio, estende-se, já agora em subida, até as Mercês. Aluízio Azevedo, em “O Mulato”, descreve como sendo aí o estabelecimento de seu Manuel Pescada. Entre o Beco do Deserto e a rua jacinto Maia está localizado o Solar dos Vasconcelos. A área fronteira do ângulo formado pelas ruas da Estrela e Portugal é o que a rigor se chama a Praia Grande, que tinha esse nome antes de ser de todo tomada ao mar e arruada. Durante os meses de invernia (chuvas) e nas épocas de maré alta,
tornava-se um lamaçal pútrido que dificultava o transporte das mercadorias até a Alfândega velha, hoje desaparecida, e que fora a sede da “Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão”. Esse problema desafiou a iniciativa e a boa-vontade dos administradores até 1805, quando se instituiu o chamado Terreiro Público, com suas barracas da praça onde se vendiam obrigatoriamente as frutas, legumes, criações, pescados, vindos do interior para o abastecimento da cidade em barcos a vela, que atracavam no ancoradouro. Em 1820, a Municipalidade deu-lhe regimento de funcionamento e chamou-a “Casa das Tulhas”.
É na Praia Grande que se localizam: CENTRO DE CRIATIVIDADE “ODILO COSTA, FILHO” localizando em antigos armazéns;
MUSEU DE ARTES VISUAIS, localizado em um sobrado de arquitetura típica do século XIX, foi construído exclusivamente para abrigar uma das muitas casas de secos e molhados, estivas e do comércio a grosso., sendo sede, por muitos anos, da firma Silva Maia & Cia Ltda.
SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA - SOBRADO LAGES & CIA, foi construído para funcionamento exclusivo da firma Azevedo e Almeida, fundada em 1815 por Joaquim Azevedo de Almeida, português e homem de muita inteligência e comprovado talento para o comércio. Continuemos subindo pela rua da Estrela (Cândido Mendes), rumo ao sul, em direção às Mercês e ao Desterro. À esquerda, passaremos pelas esquinas do Beco do Quabra-Costas e do Tanguitá (14 de Julho). O Beco do Quebra-Costa (hoje, João Vital)9, ou do Quabra-Bunda - também chamada de Beco da Pacotilha em virtude de o grande jornalista Vítor Lobato ter aí estabelecido seu jornal em abril de 1890 num sobradão de azulejos verdes - Largo do Carmo esquina com o Quabra-Costas, prédio construído em 1758. Nessa rua, entre a rua da Palma e 28 de Julho, há uma das capelas dos Passos. Nós a veremos na volta. JOÃO VITAL DE MATOS foi farmacêutico e mantinha nessa rua, num sobrado de ornatos caprichosos, esquina com a rua da Palma uma bem montada drogaria e um excelente laboratório de produtos farmacêuticos. Homem viajado, culto, inventou várias fórmulas que fizeram época e ainda até recentemente eram bem vendidas, como a famosa “Tintura Preciosa” e o “Elixir de
Carnaúba”.À direita: - o beco da Boa-Ventura antiga travessa Fluvial porque num sobrado da rua da Estrela, que lhe faz canto, funcionava a Companhia Empresa de Navegação a Vapor dos Rios do Maranhão, mais conhecida como Fluvial; era um ponto predileto dos negros de ganho que trabalhavam na chamada Paria Grande e adjacências; - o beco da Prensa, mandado abrir pelo comerciante João Gualberto da Costa para serventia de uma prensa de algodão, a primeira que tivemos; - cruzaremos ainda: a rua Direita, hoje Henrique Leal; chamou-se outrora Passo do Lapemberg, em homenagem ao causídico maranhense Antônio Martiniano
Lapemberg, defensor de um dos implicados no trágico crime de Pontes de Vergueiro; chamou-se também Marcílio Dias, em homenagem ao grumete herói da batalha do Riachuelo. ANTONIO HENRIQUES LEAL nasceu em Cantanhede em 24 de junho de 1828 e faleceu no Rio de janeiro a 29 de setembro de 1885. Formou-se em medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro. Médico competente e político influente, estudou com proficiência a história do Maranhão, deixando-nos “O Panteão Maranhense” série biográfica de escritores e poetas que lhe valeu o
cognome de “Plutarco Brasileiro”. - a do Deserto, até a rua da Cascata (Jacinto Maia - JACINTO JOSÉ MAIA, comerciante português, vivia de rendas imobiliárias e chefiou a sólida firma Maia,
Sobrinhos & Cia; homem rico, sabia olhar os desprotegidos da fortuna e dedicou grande parte de sua existência a uma filantropia que tinha a virtude de não ser ostensiva), no LARGO DAS MERCÊS. No caminho, na esquina de Tanguitá, está o solar que foi do Visconde de Itacolomi, cujos jardins de entrada dão para a rua paralela, a do Giz (28 de Julho). A seguir, em meio ao último quarteirão, o Solar dos Vasconcelos, onde funcionou a Imprensa Oficial; por fim, na esquina com a Cascata, já para as Mercês, a casa que foi de Teixeira Mendes, o apóstolo do Positivismo no Maranhão. No meio do quarteirão, entre as ruas da Estrela e do Giz, apresenta-se-nos um modesto sobradinho, baixo e quase sem fundos; diz a tradição que foi uma velha prisão ou mercado de escravos: uma cafua.
LARGO DAS MERCÊS
Hoje, Praça Luís Domingues10, onde existiu a Igreja de Nossa Senhora das Mercês e hoje há o restaurado convento da mesma invocação, sede do Centro da Memória Republicana, onde é guardada a memória do governo Sarney. O convento foi construído em 1654 e teve momentos de esplendor em sua vida. Decaindo, nele foi instalado oficialmente em 3 de fevereiro de 1863, depois de sofrer grandes reformas, o Seminário de N. S. das Mercês ou pequeno seminário.
Perdida a função de estabelecimento de ensino, o governo aí instalou o quartel da força pública e posteriormente o corpo de bombeiros. Mais adiante está o Largo do Desterro. Seguindo pela rua Direita, passa-se LUIS ANTÔNIO DOMINGUES DA SILVA nasceu em Turiaçu a 11 de julho de 1862 e faleceu em São Luís a 11 de julho de 1922. Formou-se em Direito pela Faculdade do Recife e governou o Maranhão de 1911 a 1914. Pertencia à Academia Maranhense de Letras, pela esquina da antiga rua da Palma (Herculano Parga), dobrando-se à direita chegase ao beco da Caela (Maranhão Sobrinho) à Praça do Desterro. Aqui desenrolou-se importantes episódios da invasão holandesa no Maranhão. Este vasto quadrilátero irregular, que percorremos desde o largo do Palácio e do João do Vale, até a Praça das Mercês e do Desterro, estendeu-se o bairro mais velho de São Luís, limitado pelo Largo do Carmo e a rua Formosa (Afonso Pena), antiga estrada Real. Voltemos ao Largo do Carmo.
LARGO DO CARMO: Entre as ruas Grande (Oswaldo Cruz) e da Paz (Cel. Colares Moreira), sobre o que resta da primitiva colina de Santa Bárbara, fica o Convento do Carmo Novo e sua igreja de azulejos brancos, “que reverberam ao sol poente”. Anteriormente havia uma capela, sob a invocação de Santa Bárbara; em 1627 os frades carmelitas construíram o convento de N. S. do Monte Carmelo. No Convento funcionou o Liceu Maranhense, sob a direção do emérito gramático Sotero dos Reis. Das janelas deste convento, quando Liceu, aí pelo ano de 1889, os estudantes deram “estrondosa vaia no Conde d’Eu, quando o príncipe de viagem pelo interior do país em campanha política no sentido de assegurar à consorte, D. Isabel, um terceiro reinado”. Na época da invasão holandesa, os maranhenses - que vinham vencendo os batavos desde o Itapecuru-Mirim, cercaram os homens de Pieter Bass no Castelo, entrincheirando-se na Colina do Carmo. Antônio Muniz Barreiro, herói maior da reconquista da cidade aos holandeses, é atingido no peito por uma bala inimiga e, mortalmente ferido, recolhe-se ao Convento, para falecer momentos após. Era o dia 16 de janeiro de 1643. Antônio Teixeira de Melo, seu sucessor, prossegue na resistência e um ano após (28 de fevereiro de 1644) acabaria por expulsar o invasor de uma vez por todas. Por esse feito, é dada aos moradores do Maranhão, em 1655, por D. João IV, o Restaurador, as honras e privilégios da Infanção. Os maranhenses não poderiam ser postos em prisão comum, nem sujeitos a ferros ou tormento; ficavam isentos do serviço militar e gozavam do direito de portar armas em qualquer hora e lugar, inclusive espadas com bainha de veludo, terços de ouro e punhos de fio dourado; de usar seda, metais e pedras preciosas.
Aqui funcionou uma das primeiras feiras ou mercados existentes em São Luís. Foi também o primeiro abrigo público que houve na cidade, mandado construir pelo almocatel Agostinho Inácio Rodrigues Tôrres “para abrigar da chuva e da canícula asvendeiras de hortaliças”.
Nesse largo havia ainda um pelourinho - descrito por César Marques como uma “bela coluna torcida de pedra mármore”. Não se sabe quando foi erigido, porém a 22 de setembro de 1815 o juiz pela lei Isidoro Rodrigues Pereira requeria ao governo auxílio militar para coadjuvar um homem de vara na prisão de alguns serventes necessários à ereção do pelourinho. Foi-lhe negado. Quando dos “prenúncios da Proclamação da República”, o pelourinho foi “vandálicamente destruído pelo povo a incitamentos da oratória fogosa do grande tribuno Paula Duarte”. Isso, em primeiro denovembro de 1889. Em 1901 foi o histórico largo denominado Praça João Lisboa. Situada na parte que fica entre as ruas do Sol e da Paz está, “sobre os restos mortais do escritor a que serve de túmulo”, a estátua de João Francisco Lisboa. Jornalista emérito, historiador autorizado, clássico da língua, “glória maior da Atenas do Brasil porque honra e glória de toda a nacionalidade, alí está, para edificação dos pósteros, na postura de que lê, para exemplo e ensinamento, o seu famoso ‘Jornal do Timon’”. Foi das janelas de sua residência no velho largo do Carmo que o ilustre jornalista viu desfilar muitas vezes a vida da cidade.
SOBRADO COLONIAL - CASA DA CIDADE - datado do início do século XIX, foi construído no lugar onde deveria se edificado o Teatro União. sua primitiva ocupação foi de servir de residência particular, já foi sede da Câmara Municipal de São Luís.
Na esquina com o Beco da Pacotilha (Rua João Vital de Matos), está o SOLAR DOS BELFORD. Sobradão colonial do século XVIII, provavelmente concluído em 1756, pertenceu a Lourenço Belford. Na segunda metade do século XIX residia nesse imóvel o Barão de Coroatá, Manoel Gomes da Silva Belford. Em 1899 passou a ser seu proprietário o jornalista Vítor Lobato, que aí instalou redação, gerência e oficinas de seu famoso jornal “Pacotilha”. Um pouco mais abaixo, já na Rua Formosa, o prédio onde funcionou os Diários Associados (O Imparcial). Prédio construído aproximadamente em 1846 pelo Comendador José Leite, pai do Senador Benedito Leite. Também serviu de Palácio da Justiça, Ginásio para moças, cabaré, até ser adquirido por Assis Chateaubriand, para sede do seu jornal. Era no velho largo que se realizava a célebre festa de Santa Filomena.
RUA DO EGITO: A rua Tarquínio Lopes11 leva do largo do Carmo à antiga Praia do Caju. MEIRELES (1964) reclama que está desfigurada, com as reformas que se lhe fizeram para alargar. Era estreita, e sem alcançar a praia, morria asfixiada no cotovelo da rua do Poço (hoje do Machado), rua humilde em que, na esquina com a do Ribeirão, nasceram os irmãos Azevedo, Artur e Aluízio, o teatrólogo e o romancista. Entre os moradores famosos da rua do Egito contava-se, ainda, os historiadores César sócio efetivo da Academia Maranhense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, e membro do Conselho de Cultura do Estado.” (MEIRLES, Mário M. João de Barros, primeiro donatário do Maranhão. São Luís : ALUMAR, 1996, p. 70, nota de pé-de-página).No prédio hoje ocupado pela Assembléia Legislativa funcionou a “Escola “11 de Agôsto”, assim denominada por ter sido fundada nesse dia, no ano de 1870 pelos bacharéis João Antônio Coqueiro, Antônio de Almeida e Oliveira, Martiniano Mendes Pereira, Manuel Jansen Pereira e outros, com o objetivo de estabelecer cursos noturnos para as classes operárias.
IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETINHOS - na rua do Egito ficava localizada a Igreja do Carmo (1614). Com o alargamento da rua em 1717, foi construída a Igreja do Rosário, sendo o terreno doado por Frei Tomaz Jordão, prior do Convento do Carmo, para a congregação dos pretinhos irmãos de Nossa Senhora do Rosário. O padre Antônio Vieira fez vários sermões nessa igreja. Em frente, o SOLAR CESÁRIO VERAS. Pertenceu ao Desembargador José Mariano Corrêa de Azevedo Coutinho e, mais tarde, ao Dr. Cesário dos Santos Veras. No dia 17 de novembro de 1824, a sociedade maranhense homenageou com um banquete o almirante inglês Lord Cochrane, que um ano antes viera ao Maranhão para ultimar a adesão da província (28 de julho de 1823) à independência. Na esquina da Rua de Nazaré está localizado o Edifício São Luís. É considerado o maior prédio de azulejo do País.
Travessa Dom Francisco. Antigamente, era estreitíssima, quando se chamava beco da Sé, ou mais remotamente, beco de João do Vale, para chegarmos ao Largo do Palácio. Antes, passamos pelo seu xipófago, o largo de João do Vale.
FONTE DO RIBEIRÃO: Do Largo do Carmo iremos saindo pela rua do Sol, até o Largo do Quartel. Antes, passemos pela Fonte do Ribeirão, na paralela rua dos Afogados. A Fonte do Ribeirão foi mandada construir em 1796 pelo Governador e Capitão-General D. Fernando Antônio de Noronha. Sobre as carrancas por que escorre a água da fonte para o chão lajeado de cantaria, três portas gradeadas de ferro dão acesso a outras tantas galerias, motivo de lendas que a imaginação popular tem criado.
RUA DO SOL: A rua do Sol é das mais antigas da cidade, pois já aparece em uma planta, datada de 1640, à época da invasão holandesa. Orígenes Lessa a celebrizou em seu romance, que tem esse título. Hoje, recebe o nome de Nina Rodrigues13, em homenagem ao sábio antropólogo brasileiro. No prédio 67, em um mirantezinho aí existente, Aluísio Azevedo escreveu “O Mulato” e Antônio Lobo, “A Carteira de um neurastênico”. E num magnífico sobrado de vinte e uma janelas, hoje demolido, funcionou o famoso Colégio de Nossa Senhora da Glória, destinado à educação de meninas e dirigido perla professora 13 RAIMUNDO NINA RODRIGUES nasceu em Vargem Grande, a 4 de dezembro de 1862 e faleceu em paris a 17 de julho de 1906. Foi pioneiro no estudo do negro brasileiro, lançando as bases de uma escola antropológica com métodos avançados de pesquisa e interpretação. Sua biografia científica atinge cerca de 60 títulos.
Amância Leonor de Castro Abranches, tia do escritor Dunshe de Abranches, que evoca esse imóvel no livro “O Cativeiro”. Foi nesse colégio que se recolheu D. Emília Amália Branco, mãe de Artur e Aluísio Azevedo. Nessa rua funcionou também o Colégio de São João, dirigido pelo Dr. Augusto César da Silva Rosa. E é ali que está o Teatro Artur Azevedo, fundado em 1817, com o nome de União e, depois, de São Luís. No prédio de no. 302, em um enorme sobrado de entrada pomposa, com portal de cantaria lavrada, viveu algum tempo Joaquim Gomes de Sousa, o famoso matemático maranhense. É onde hoje está instalado o Museu Histórico e Artístico do Maranhão.
LARGO DE SÃO JOÃO: Daqui, vamos até o Largo de São João, onde está situada a matriz que lhe empresta o nome, já na esquina da rua da Paz, paralela à do Sol, hoje chamada praça Henrique Leal. Nesse templo a piedade cristã recolheu os restos mortais do delator da Inconfidência Mineira, Joaquim Silvério dos Reis, que veio curtir no Maranhão o remorso de seus últimos dias. Defronte à igreja, o “Palácio das Lágrimas”, onde hoje está a Faculdade de Odontologia e antigamente foi sede da Escola Modelo Benedito Leite. Conta-se que, no andar superior, seu proprietário mantinha sob severa vigilância, um verdadeiro harém d e jovens escravas e por uma delas apaixonou-se um outro escravo da casa, que, não correspondido, pois a bela escrava preferiu permanecer como a favorita do senhor, o moço escravo, louco de ciúmes, vingou-se colocando veneno na comida de dois filhos da casa, deixando o resto na mala de sua eleita. Descoberto o crime, as provas indicavam a bela escrava, que foi levada ao patíbulo, não obstante protestasse inocência; ao descer as escadarias que dava para a rua, rumo ao cadafalso, tantas foram as lágrimas de revolta de sua inocência que, como a quererem eternizar seu clamor, jamais se apagaram de sobre as lajes dos degraus que todos os dias delas anheciam molhados. Perseguido pela dúvida do remorso, o senhor fez substituir as pedras lacrimejantes, mas a vingança do destino sobreviveu, em tudo o mais e a casa se fez mal assombrada. Seu último dono, ensandecido, enchia de pavor o silêncio da noite com seus cantos e seus gritos, enquanto, insone, corria os aposentos desertos daquele andar onde fora o harém. O patíbulo era, então, nessa mesma rua da Paz, na esquina da atual Artur Azevedo, popularmente chamada da Mangueira e antes da Forca Velha: Ao lado do Palácio das Lágrimas, na rua 13 de Maio, O MUSEU DE ARTE SACRA DO MARANHÃO:localizado em um solar construído na segunda metade do século XIX, tendo servido de residência do barão de Grajaú, o Dr. Carlos Fernando Ribeiro e da Baronesa, Sra. Ana Rosa Viana Ribeiro. Foi sede do Museu Pio XII. Ainda na rua 13 de Maio, o Sobrado Pontes Vergueiros, construção do século XIX, tendo nele residido o Desembargador Pontes Vergueiros que sentindo paixão desenfreada pela mulata Mariquinhas, tomou em delírio passional a resolução de assassiná-la. Depois de morta, Mariquinhas foi esquartejada e colocada em uma mala de zinco, tendo como soldador Amâncio José da Paixão, pai de Catulo da Paixão Cearense.
PRAÇA DEODORO: O antigo Largo do Quartel é hoje a Praça Deodoro; já foi do quartel do 24o., do 48o., do 5o. batalhão... lá foi construído primeiro quartel do Brasil, conforme autorização de 27 de junho de 1792. Demolido, em seu lugar, com a Biblioteca Pública “Benedito Leite” ao centro, está hoje a Praça do Panteon - do Panteon porque nela estão colocadas as ermas dos filhos ilustres da terra que ainda não tenham estátua em outros logradouros.
Parque Urbano Santos14: por trás do velho quartel ficava o Campo do Ourique, hoje igualmente desaparecido. A parte posterior do Campo d’Ourique dava para um fundo grotão onde corria a chamada Fonte do Mamoin. Em 1882 dizia-se ser de urgente a construção de um paredão de pedra e cal, pois estava desmoronando e colocando em riscos as casas ali edificadas, dentre as quais as do Visconde de Itacolomi do Norte. Ali, funcionou em 1881 um pequeno hipódromo onde foram realizadas interessantes corridas. Funcionou, ainda, uma pequena estação meteorológica. Em 1914 recebeu o nome de Parque Urbano Santos, hoje ocupado na maior parte ocupado pelo edifício de linha neocolonial em que funciona o Liceu Maranhense.
Centro Histórico de São Luiz
São Luís é uma das poucas cidades brasileiras que ostenta em seu patrimônio arquitetônico-histórico lembranças das culturas portuguesa e francesa do início da colonização. São 3,5 mil construções ocupando uma área de 250 hectares, reconhecidos pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade (1997), tendo em vista a beleza e a importância deste conjunto de arquitetura civil de origem européia, considerado um dos maiores do mundo. Este acervo arquitetônico já havia sido tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1955. São Luís do Maranhão é uma das três únicas capitais brasileiras construídas em ilhas, sendo a única cidade do país a
sofrer forte influência de três nações européias. Fundada pelos franceses, foi depois invadida pelos holandeses e finalmente colonizada por portugueses. O resultado foi uma mistura única de influências que gerou um mosaico histórico como poucos outros no mundo. A cidade é um museu ao ar livre, uma viagem de volta ao passado. Ruas estreitas, becos, ladeiras e escadarias compõem um excepcional conjunto arquitetônico colonial português em área urbana, envolvendo centenas de casarões, incontáveis fachadas cobertas por azulejos, sacadas de ferro, janelas e portas em arco, que abrigam desde residências até hotéis, pequenas lojas, mercados, museus, casas de cultura, restaurantes, ateliês, agências de turismo, oficinas de artesanato e, principalmente, uma gente simpática que tem prazer em receber visitantes.
Passear pelas ruas de São Luís já é um programa em si, ainda que não se vá especificamente a nenhum lugar em especial; dá para caminhar um dia inteiro e ir se maravilhando aos poucos com cada recanto ou cada esquina. No roteiro turístico estão a Casa do Maranhão, onde pode-se aprender muito sobre a cultura desta terra, o Palácio La Ravadière, construído em 1689 em homenagem ao fundador da cidade, Daniel de la Touche, e o imponente Palácio dos Leões, que hoje abriga a sede do governo estadual, com luxuosos aposentos, móveis, esculturas e pinturas belíssimas. Outras atrações são a Igreja Matriz, construída entre 1690 e 1699, e a Igreja do Desterro, erguida no mesmo local onde os primeiros colonizadores fizeram uma capela em devoção à Nossa Senhora do Desterro. Estes são apenas alguns dos prédios históricos que o turista encontra na capital maranhense, uma cidade cheia de encantos e belas paisagens
Centro Histórico de São Luís
Os primeiros moradores da capitania do Maranhão não imaginavam que ela seria tão assediada. São Luís foi fundada durante a ocupação francesa (1612-1615). Trinta anos mais tarde, nova invasão. Dessa vez, quem resolveu atacá-la foi o holandês Maurício de Nassau (1641-1644). Apesar da influência de seus inúmeros colonizadores, São Luís é um exemplo típico de cidade colonial ibérica. Ela preserva o traçado urbano ortogonal, com quadras retangulares e imóveis de altura reduzida. O conjunto arquitetônico é composto por prédios dos séculos XVIII e XIX, período em que a região era uma grande exportadora de arroz e algodão. São Luís destacava-se como um dos quatro maiores centros comerciais brasileiros, atrás apenas de Salvador, Recife e Rio de Janeiro. A estagnação econômica que atingiu o Maranhão no século XX foi o maior responsável pela conservação de São Luís. Com a economia em banho-maria, não havia recursos para a renovação urbana que descaracterizou grande parte dos centros históricos brasileiros. Hoje, existem cerca de 4.000 imóveis de valor histórico, por suas fachadas com azulejos e divisão interna peculiar.
História de São Luís no tempo
A capital maranhense, lembrada hoje pelo enorme casario de arquitetura portuguesa, no início abrigava apenas ocas de madeira e palha e uma paisagem quase intocada. Aqui ficava a aldeia de Upaon-Açu, onde os índios tupinambás - entre 200 e 600, segundo cronistas franceses - viviam da agricultura de subsistência (pequenas plantações de mandioca e batata doce) e das ofertas da natureza, caçando, pescando, coletando frutas.
Em 1535, a divisão do país em capitanias hereditárias deu ao tesoureiro João de Barros a primeira oportunidade de colonizar a região.
Tesouro
Na década de 1550 foi fundada a cidade de Nazaré, provavelmente onde hoje é São Luís, que acabou sendo abandonada devido à resistência dos índios e a dificuldade de acesso à ilha.
Daniel La Touche, conhecido como Senhor de La Ravardière, acompanhado de cerca de 500 homens, chegou à região em 1612 para fundar a França Equinocial e realizar o sonho francês de se instalar na região dos trópicos. Uma missa rezada por capuchinos e a construção de um forte marcaram a data de fundação da nova cidade: 8 de setembro. Logo se aliaram aos índios, que foram fiéis companheiros na batalha contra portugueses vindos de Pernambuco decididos a reconquistar o território, o que acabou por acontecer alguns anos depois.
Comandada por Alexandre de Moura, a tropa lusitana expulsou os franceses em 1615 e Jerônimo de Albuquerque foi destacado para comandar a cidade. Dos fundadores restou o nome de São Luís, uma homenagem ao rei francês Luís XIII estranhamente mantida pelos portugueses.
Açorianos chegaram à cidade em 1620 e a plantação da cana para produção de açúcar e aguardente tornou-se então a principal atividade econômica na região. Os índios foram usados como mão-de-obra na lavoura. A produção foi pequena durante todo o séc. XVII e, como praticamente não circulava dinheiro na região, os excedentes eram trocados por produtos vindos do Pará, Amazônia e Portugal. Rolos de pano eram um dos objetos valorizados na época, constando inclusive nos testamentos dos senhores mais abastados.
Praça do Comércio
Em 1641, foi a vez dos holandeses de Maurício de Nassau, que já comandavam Pernambuco, tomarem a cidade. Chegaram pelo porto do Desterro, saquearam a igreja que nele fica e só foram vencidos três anos depois. Preocupado com o isolamento geográfico e os constantes ataques à região, o governo colonial decidiu então fundar o Estado do Maranhão e Grão Pará, independente do resto do país. A criação da Companhia de Comércio do Estado do Maranhão, em 1682, integrou a região ao grande sistema comercial mantido por Portugal. As plantações de cana, cacau e tabaco eram agora voltadas para exportação, tornando viável a compra de escravos africanos. A Companhia, de gestão privada, passou a administrar os negócios na região em substituição à Câmara Municipal. O alto preço fixado para produtos importados e discordâncias quanto ao modelo de produção, geraram conflitos nas elites que culminaram na Revolta de Beckman, considerada a primeira insurreição da colônia contra Portugal. O movimento foi prontamente reprimido pelas forças governistas.
Na segunda metade do séc. XVIII, devido a Guerra da Secessão, os Estados Unidos interrompem sua produção de algodão e abrem espaço para que o Maranhão passe a fornecer a matéria-prima demandada pela Inglaterra. Em 1755 é fundada a Companhia Geral do Comércio do Grão Pará e o porto de São Luís ganha enorme movimento de chegada e saída de produtos. Com a proibição do uso de escravos indígenas e o aumento das plantações, sobe muito o número de escravos negros.
Se desde o final do séc. XVII novos elementos da civilização européia já chegavam a São Luís por vias marítimas (com destaque para os religiosos carmelitas, jesuítas e franciscanos, que também passaram a educar a população), este processo de modernização aumentou no novo ciclo econômico, trazendo benefícios urbanos para a cidade. Durante o período pombalino (1755-77), acontece a canalização da rede de água e esgotos e a construção de fontes pela cidade.
Em 1780 é construída a Praça do Comércio, na Praia Grande, que se torna centro da ebulição econômica e cultural de São Luís. Tecidos, móveis, livros e produtos alimentícios, como o azeite português e a cerveja da Inglaterra, eram algumas das novidades vindas do velho continente.Os filhos dos senhores eram enviados para estudar no exterior, enquanto na periferia da cidade, longe da repressão da polícia e das elites, os escravos fermentavam uma das culturas negras mais ricas do país. Entre as abastadas famílias de comerciantes estava a senhora Ana Jansen, conhecida por maltratar, torturar e até matar seus escravos.
Rua Portugal na Praia GrandeAlém de dar nome a uma lagoa que fica na parte nova da cidade, Ana Jansen é também lembrada através de uma lenda: sua carruagem, puxada por cavalos brancos sem cabeça, estaria circulando ainda hoje pelas ruas escuras de São Luís. O grande fluxo comercial de algodão, que chegou a fazer da capital maranhense a terceira cidade mais populosa do país (atrás apenas do Rio de Janeiro e Salvador), entrou em decadência no fim do século XIX, devido à recuperação da produção norte-americana e a abolição da escravatura. A produção agrícola foi aos poucos sendo suplantada pela indústria têxtil que, além de matéria-prima, encontrou mão-de-obra e mercado consumidor na região. A nova atividade colaborou para a expansão geográfica da cidade e surgimento de novos bairros na periferia.
Em 1535, a divisão do país em capitanias hereditárias deu ao tesoureiro João de Barros a primeira oportunidade de colonizar a região.
Tesouro
Na década de 1550 foi fundada a cidade de Nazaré, provavelmente onde hoje é São Luís, que acabou sendo abandonada devido à resistência dos índios e a dificuldade de acesso à ilha.
Daniel La Touche, conhecido como Senhor de La Ravardière, acompanhado de cerca de 500 homens, chegou à região em 1612 para fundar a França Equinocial e realizar o sonho francês de se instalar na região dos trópicos. Uma missa rezada por capuchinos e a construção de um forte marcaram a data de fundação da nova cidade: 8 de setembro. Logo se aliaram aos índios, que foram fiéis companheiros na batalha contra portugueses vindos de Pernambuco decididos a reconquistar o território, o que acabou por acontecer alguns anos depois.
Comandada por Alexandre de Moura, a tropa lusitana expulsou os franceses em 1615 e Jerônimo de Albuquerque foi destacado para comandar a cidade. Dos fundadores restou o nome de São Luís, uma homenagem ao rei francês Luís XIII estranhamente mantida pelos portugueses.
Açorianos chegaram à cidade em 1620 e a plantação da cana para produção de açúcar e aguardente tornou-se então a principal atividade econômica na região. Os índios foram usados como mão-de-obra na lavoura. A produção foi pequena durante todo o séc. XVII e, como praticamente não circulava dinheiro na região, os excedentes eram trocados por produtos vindos do Pará, Amazônia e Portugal. Rolos de pano eram um dos objetos valorizados na época, constando inclusive nos testamentos dos senhores mais abastados.
Praça do Comércio
Em 1641, foi a vez dos holandeses de Maurício de Nassau, que já comandavam Pernambuco, tomarem a cidade. Chegaram pelo porto do Desterro, saquearam a igreja que nele fica e só foram vencidos três anos depois. Preocupado com o isolamento geográfico e os constantes ataques à região, o governo colonial decidiu então fundar o Estado do Maranhão e Grão Pará, independente do resto do país. A criação da Companhia de Comércio do Estado do Maranhão, em 1682, integrou a região ao grande sistema comercial mantido por Portugal. As plantações de cana, cacau e tabaco eram agora voltadas para exportação, tornando viável a compra de escravos africanos. A Companhia, de gestão privada, passou a administrar os negócios na região em substituição à Câmara Municipal. O alto preço fixado para produtos importados e discordâncias quanto ao modelo de produção, geraram conflitos nas elites que culminaram na Revolta de Beckman, considerada a primeira insurreição da colônia contra Portugal. O movimento foi prontamente reprimido pelas forças governistas.
Na segunda metade do séc. XVIII, devido a Guerra da Secessão, os Estados Unidos interrompem sua produção de algodão e abrem espaço para que o Maranhão passe a fornecer a matéria-prima demandada pela Inglaterra. Em 1755 é fundada a Companhia Geral do Comércio do Grão Pará e o porto de São Luís ganha enorme movimento de chegada e saída de produtos. Com a proibição do uso de escravos indígenas e o aumento das plantações, sobe muito o número de escravos negros.
Se desde o final do séc. XVII novos elementos da civilização européia já chegavam a São Luís por vias marítimas (com destaque para os religiosos carmelitas, jesuítas e franciscanos, que também passaram a educar a população), este processo de modernização aumentou no novo ciclo econômico, trazendo benefícios urbanos para a cidade. Durante o período pombalino (1755-77), acontece a canalização da rede de água e esgotos e a construção de fontes pela cidade.
Em 1780 é construída a Praça do Comércio, na Praia Grande, que se torna centro da ebulição econômica e cultural de São Luís. Tecidos, móveis, livros e produtos alimentícios, como o azeite português e a cerveja da Inglaterra, eram algumas das novidades vindas do velho continente.Os filhos dos senhores eram enviados para estudar no exterior, enquanto na periferia da cidade, longe da repressão da polícia e das elites, os escravos fermentavam uma das culturas negras mais ricas do país. Entre as abastadas famílias de comerciantes estava a senhora Ana Jansen, conhecida por maltratar, torturar e até matar seus escravos.
Rua Portugal na Praia GrandeAlém de dar nome a uma lagoa que fica na parte nova da cidade, Ana Jansen é também lembrada através de uma lenda: sua carruagem, puxada por cavalos brancos sem cabeça, estaria circulando ainda hoje pelas ruas escuras de São Luís. O grande fluxo comercial de algodão, que chegou a fazer da capital maranhense a terceira cidade mais populosa do país (atrás apenas do Rio de Janeiro e Salvador), entrou em decadência no fim do século XIX, devido à recuperação da produção norte-americana e a abolição da escravatura. A produção agrícola foi aos poucos sendo suplantada pela indústria têxtil que, além de matéria-prima, encontrou mão-de-obra e mercado consumidor na região. A nova atividade colaborou para a expansão geográfica da cidade e surgimento de novos bairros na periferia.
Centro de Atividades Odylo Costa
Fonte do Riberão
Antigo armazém reformado, abriga um espaço cultural com cinema, teatro, galeria de arte, cursos e outras atividades. Localização: Rampa do Comércio, 200
- Praia Grande -
Igreja do DesterroConsiderado o primeiro templo construído no estado (em 1614), foi demolido na invasão holandesa e reconstruído por moradores. Localização: Largo do Desterro, s/nº - Palácio la RavardiéreConstruído em 1689, é a atual sede da prefeitura municipal. No largo do palácio está um busto de Daniel de La Touche, ou senhor de La Ravardière, o fundador da cidade. Localização: Av. D. Pedro II, s/nº
Igreja do DesterroConsiderado o primeiro templo construído no estado (em 1614), foi demolido na invasão holandesa e reconstruído por moradores. Localização: Largo do Desterro, s/nº - Palácio la RavardiéreConstruído em 1689, é a atual sede da prefeitura municipal. No largo do palácio está um busto de Daniel de La Touche, ou senhor de La Ravardière, o fundador da cidade. Localização: Av. D. Pedro II, s/nº
Fonte do Riberão
Construída em 1796 para abastecer a cidade, tem o pátio revestido com pedras de cantaria. Suas janelas gradeadas dão acesso às galerias subterrâneas que passam pelo centro histórico.Localização: Largo do Ribeirão, s/nº -
Museu de Arte Sacra
Anexo ao Museu Histórico, funciona no Solar do Barão de Grajaú. Seu acervo, que pertence em parte à Arquidiocese de São Luís, é composto por peças dos séc. XVIII e XIX nos estilos mareirista, rococó, barroco e neoclássico. Localização: Rua do Sol, 302 - Telefone: (98) 221-4537Terça a sexta, das 9h às 18h. Sábado e domingo, de 14 às 18h
Solar São Luís
Considerado o maior prédio em azulejos da país (tem três pavimentos), foi construído na segunda metade do século XIX. Teve seu interior destruído por um incêndio e ficou abandonado até ser adquirido e restaurado pela Caixa Econômica Federal, que nele instalou um agência.Localização: Rua Egito com rua Nazaré -
Convento das Mercês - Fundação da Memória Republicana
Construído em 1654 e inaugurado pelo padre Antônio Vieira, aqui funcionava a sede do antigo Convento da Ordem dos Mercedários. Hoje é a Fundação da Memória Republicana, com documentos e objetos do ex-presidente José Sarney.Localização: Rua da Palma, 502 Telefone: (98) 221-5557 Segunda, de 14h às 18h. Terça a sexta, de 8h às 12h. Sábado, das 14h às 18h
Igreja da Sé Nossa Senhora da Vitória
Erguida por ordem do terceiro capitão-mor Diogo Machado da Costa em 1629, quando a cidade passava por um surto de varíola. É uma homenagem à protetora dos portugueses na batalha de Guaxenduba (vitória sobre os franceses). Foi reconstruída várias vezes até 1922, quando assumiu o aspecto neoclássico. No interior destaca-se o altar-mor talhado em ouro. Localização: Av. D. Pedro II, s/nº
Ceprama - Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão
Antiga fábrica textil Companhia de Fiação e Tecidos de Cânhamo, reúne hoje o artesanato produzido em todo o estado.Localização: Rua de São Pantaleão, 1232 - Madre Deus Segunda a sexta, das 9h às 19h. Sábado, 9h às 20h. Domingo, 9h às 13h
Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho
Sediado num sobrado colonial de 3 pavimentos, mantém um grande acervo com peças das diversas manifestações culturais (bumba-meu-boi, tambor de crioula, carnaval, dança do coco etc) e religiosas (tambor de mina, Festa do Divino etc) do estado. Além disto, possui objetos da cultura indígena e artesanatos.Localização: Rua do 28 de julho, 221 Telefone: (98) 231-1557Terça a sábado, de 9h às 19h
Assinar:
Postagens (Atom)
